Carla Douglass, Fabiana Gutierrez e Carla Scheidegger são três mulheres mais do que positivas que juntas criaram a Carlotas – uma empresa com propósito social, que utiliza arte e ludicidade para proporcionar o diálogo sobre empatia, respeito e um novo olhar para a diversidade, transformando assim as relações.
1) Como começou o Carlotas?
Carlotas começou de um insight que a Carla Douglass teve quando levou suas ilustrações para crianças e jovens em uma oficina artística para ‘desconstruir a perfeição’. Quando contou o sua ideia para a Fabiana, ela na hora topou o desafio. Foram 2 financiamentos coletivos para as oficinas piloto e lançamento do Portal Carlotas (Carlotas.org) até criar uma abordagem única a temas como empatia, diversidade, vieses inconsciente, entre outros. Nossos workshops começaram com crianças e jovens em 2013 e logo percebemos a aceitação e impacto que a abordagem tinha em adultos. Começamos programas para educadores e, em seguida, entramos em empresas em 2016, com a aposta do Bradesco. Hoje, contamos também com Natura, Ben&Jerry’s, Microsoft, Disney entre outros. A Carla Scheidegger, residente em Munique na Alemanha, já estava envolvida com nossa abordagem há alguns anos e, oficialmente, abriu Carlotas na Alemanha, ano passado, como uma organização sem fins lucrativos por lá. O Programa está no segundo ano em uma escola em Munique e estamos entrando em empresas com um Workshop na Allianz e um na BMW agendados para junho. Temos um modelo de negócio sustentável onde uma parte do nosso faturamento é reinvestido em programas anuais em escolas públicas de São Paulo, com visitas mensais a educadores e alunos.
2) Qual foi a maior conquista de vocês?
Fabi: Acho que olhando toda nossa trajetória, tivemos muitas conquistas e, mesmo as pequenas, foram passos importantes para chegarmos onde estamos hoje: mais de 15 clientes corporativos e 14 programas em instituições públicas para crianças e adolescentes, desenvolvendo um trabalho focado nas habilidades socio-emocionais para melhorar as relações. Poder manter esses 14 programas sem custo para os alunos, suas famílias e para as instituições, é a maior conquista que temos e nosso foco.
3) Qual foi a história que mais as emocionou?
Acho que todas concordamos com essa. Foi o dia que Carlotas nasceu. Quando a Carla Douglass levou Carlotas para uma escola pela primeira vez. Naquele dia, ela conheceu um menino de 5 anos que estava em silêncio desde que ele e seus irmãos foram afastados dos seus pais e estavam vivendo em um lar de transição. Ela levou aos alunos suas pinturas e todos juntos conversaram sobre imperfeições, assimetria, como somos diferentes um dos outros e todos entendemos que vemos coisas diferentes olhando para uma mesma imagem. Antes de ir embora a professora chamou a Carla para contar a história daquela criança e mostrar que, depois desse encontro, ela estava conversando com seus amigos. Essa história sempre nos comove por aqui. Ela conta de onde veio a ideia de Carlotas e o quão transformadora é nossa abordagem.
4) Vocês sofreram preconceito na carreira por serem mulheres? Tem alguma estória interessante para nos contar?
Carla Douglass: no mundo corporativo eu fiquei pouco, foram quatro anos em uma multinacional (onde conheci a Fabiana) e depois me mudei para NYC para estudar Computação Gráfica. Desde então trabalhei em um restaurante por dois anos e hoje dou aula no Pratt Institute. O lugar que me senti mais descriminada pelo meu gênero foi trabalhando em uma grande empresa, e nem sempre vinha de homens, mas às vezes de mulheres superiores a mim.
Carla Scheidegger: Passei uma vez por uma situação de preconceito quando engravidei. Ao contar pro meu chefe ele disse: “Pena pela sua carreira”.
Fabi: Existem alguns preconceitos institucionalizados e outros velados. Às vezes acontecem situações desconfortáveis mas todas gerenciáveis. A mais recente, foi quando fizemos um treinamento simultâneo em diversas unidades de uma empresa e eu acabei indo no escritório e na fábrica logo em seguida, no mesmo dia. Na fábrica era um grupo com 35 homens. A única mulher que estava lá era do administrativo. Foi muito desconfortável no início porque via eles cochichando e rindo. Mas ao longo do processo se envolveram e o trabalho fluiu bem.
5) Um livro, um filme e uma mulher que vocês admiram.

Carla Douglass:

livro: O Poder da Empatia- Roman Krznaric;
filme: amo She is beautiful when she is angry (filme para as Mulheres Positivas!); minha mãe sempre me mostrou meus privilégios ela é a combinação de compaixão e força!
Carla Sheidegger:
livro: Ventos Nômades de Manuela Marques Tchoe ou Retrotopia de Zygmunt Bauman (um é de crônicas pra ler na praia e o outro é filosofia)
filme: Still Alice
Mulher que admiro: Angela Merkel, humilde, discreta, inteligente e poderosa!
Fabi:
livro: A Coragem de Ser Imperfeito – Brene Brown
Filme: Peixe grande e suas histórias – para mim é similar a poesia que existe no filme A Vida é Bela, a criatividade e ludicidade nos salvam a todo momento. Para mim são especiais.
Mulher: Oprah Winfrey