Nossa Mulher Positiva é Camilla Tápias vice-presidente de Assuntos Corporativos da Telefônica Brasil. Responsável por liderar as áreas Regulatória, Relações Institucionais, Sustentabilidade e Fundação Telefônica Vivo.

  1. Como começou a sua carreira?

Sempre quis ser advogada. Entrei na faculdade de Direito da USP em 1990 e já em 91 comecei meu primeiro estágio. Passei por várias áreas do Direito, mas foi em 1998 que comecei a trabalhar com Direito de Telecomunicações. Desde então, minha carreira tem sido nesta área. Trabalhei em uma grande empresa nos EUA, depois na Embratel e finalmente no grupo Telefonica (Vivo), onde estou há quase 17 anos como responsável pela área regulatória. Há um ano atrás, assumi a Vice-Presidência de Assuntos Corporativos da Telefônica, incorporando também as áreas institucional, de sustentabilidade e a Fundação Telefônica Vivo.

  1. Como é formatado o modelo de negócios da companhia em que atua?

Na Vivo, adotamos um modelo de negócios sustentável, com impacto positivo para a sociedade. Nossa capacidade de gerar valor socioambiental começa na natureza do negócio, que oferece conexão de qualidade e leva desenvolvimento aos lugares mais remotos, conectando pessoas no mundo digital.

Nosso Plano de Negócios Responsável contempla diferentes iniciativas pautadas nos pilares de gestão de riscos, produção responsável e na sustentabilidade como alavanca de crescimento.

Ao mesmo tempo em que lideramos uma verdadeira transformação digital, buscamos estabelecer uma relação de confiança com os nossos clientes. Oferecemos produtos e serviços inovadores, estimulamos o consumo responsável, reduzimos o impacto das nossas operações e atuamos com sólidas práticas de governança corporativa.

  1. Qual foi o momento mais difícil da sua carreira?

Posso pensar em alguns momentos desafiadores.

Nos EUA, decidi fazer mestrado em Direito (LLM) enquanto trabalhava. Isso é muito raro lá, pois exige uma dedicação quase integral, muito diferente do mestrado daqui. Não conheço ninguém que tenha feito isso. No início, achei que não fosse conseguir. Tive uma crise de choro um dia e falei para meu marido que ia desistir. Mas ele não me deixou parar. Disse que sabia que eu era capaz, que me ajudaria com as coisas da casa e me incentivou a continuar. Deu certo.

Outros dois momentos desafiadores foram minha entrada na Embratel e depois na Telefônica, que hoje no Brasil atua com a marca Vivo. A Embratel era uma empresa de homens, engenheiros, que tinham se formado, em sua grande maioria, no ano que eu nasci. Eu era mulher, advogada e tinha apenas 27 anos. Tinha um cargo já importante e muitas vezes tive que falar alto para ser ouvida e respeitada.

Na Telefônica, o que senti quando cheguei foi uma empresa um tanto hierarquizada e muito formal. Senti resistência, mas aos poucos consegui ir quebrando o clima hostil. Hoje temos um cenário muito mais aberto e inclusivo na empresa como um todo. Tenho orgulho de participar deste trabalho e de ser sponsor do programa Vivo Diversidade, que contempla iniciativas de sensibilização das lideranças, mudanças nos programas de recrutamento e seleção, capacitação e oportunidades efetivas que vem garantindo um ambiente aberto, permitindo que as mulheres sejam o que que quiserem ser.

Desde 2016, avançamos de 15% para 20% o número de mulheres em cargos de alta liderança e estamos trabalhando fortemente para garantir avanços progressivos em todos os níveis hierárquicos. Nossa meta é termos 30% de mulheres em cargos de alta liderança até 2020.

  1. Como você consegue equilibrar sua vida pessoal x vida corporativa/empreendedora.

Tem que ter saúde, organização e colaboração! Saúde consigo fazendo esporte. Organização consigo me cercando de pessoas competentes, tanto em casa, quanto na empresa. E a colaboração vem do meu marido e dos meus filhos. Meu marido divide as tarefas de casa comigo. Meus filhos foram criados para serem independentes, sabendo que meu tempo para eles é para carinho e diálogo e não para tarefas que cabem a eles e que podem fazer sozinhos. Fazendo assim, dá tudo certo.

  1. Qual o seu maior sonho?

Meu maior sonho já conquistei. Sempre quis ter filhos e viver em uma família harmoniosa. Tenho três filhos (João Pedro 17, Luis Felipe 15 e Ana Helena 11) e tenho muito orgulho da família que construí com meu marido, Fred.

  1. Qual a sua maior conquista?

Minha maior conquista pessoal foi chegar onde cheguei. Ser promovida a Vice-Presidente de Assuntos Corporativos da Vivo foi uma grande conquista.

  1. Livro, filme e mulher que admira

Livro: Trilogia “O Século” – Ken Follett

Filme: Cinema Paradiso

Mulher que admira: Há muitas.

Há as que eu admiro pela inteligência, como Marie Curie, cientista que ganhou prêmio Nobel por seu trabalho com radioatividade. Há as que eu admiro pela coragem, como Irena Sendlerowa, que salvou mais de 2 mil crianças judias na guerra. Também as que eu admiro por lutarem por uma causa, como Malala. Há as que se destacaram por realizarem atividades antes somente realizadas por homens. Dentre estas, vou citar Kathrine Switzer, a primeira mulher a correr a maratona de Boston, em 67. Ela demonstrou muita coragem ao continuar correndo, mesmo sendo segurada por homens que queriam impedi-la de terminar a corrida. O ato dela foi emblemático para a causa das mulheres. Nós não vamos parar!