marilyn_monroe_reprodução

 

Não entendo muito bem quando alguém me fala que sai de casa sempre com qualquer roupa, que nunca pensa no que vai vestir. Até acredito que seja possível esse desapego com a imagem, mas nunca consegui alcançá-lo. Tenho, claro, meus (muitos) dias em que saio de casa de robe pra levar as crianças na escola. Acordar de madrugada não é pra mim. Mas tenho também os dias em que ponho minha roupa mais linda e, na falta de algo especial pra fazer, vou no cartório renovar o título eleitoral. Pra mim, roupa é parte da minha relação com o mundo. É parte do que as pessoas vêem de mim. É uma maneira de mostrar auto respeito. Me visto para me agradar (e acho que consigo agradar outras pessoas que amo também). E acho que a vida é curta demais pra deixar roupa bonita parada no armário.

E, dentro dessa relações com a aparência, uma me marcou. Um dia uma cliente me disse algo inesquecível. Ao final da consultoria de estilo, ela agradeceu e falou: “antes, eu me vestia para ficar feia. Agora, me visto para fica bonita.” Chorei, né? Foi o elogio mais lindo que meu trabalho recebeu. Ela não estava falando de se vestir certo ou errado pra cada ocasião, de disfarçar o quadril ou a barriga, mas de sentir-se bem na própria pele, de se olhar no espelho com gosto, com carinho, de ter amor pelo corpo e pela aparência. E de passar isso para quem a visse andando nas ruas.

Em tempo, pra mim ser bonita não é um valor a ser perseguido. Deus não deu essa qualidade a todos e tudo bem, fazer o quê? Fosse assim as super modelos não estariam milionárias e Gisele Bündchen seria só mais uma. Pra mim, temos muitas outras qualidades a treinar e a valorizar. Mas gostar de si mesma é, sim, uma grande qualidade. E deveria ser uma meta de toda mulher. É nessa busca que a roupa que a gente veste todo dia pode ser de grande ajuda.

Roupa é uma ferramenta poderosa. Faz a gente se sentir mais confiante. Faz a gente ficar chique ou sexy. Ajuda os outros a verem nossas qualidades no trabalho e, consequentemente, contribui pra autoestima. Injusto? Pode ser, mas funciona. No caso da minha cliente, não se importar com o que ela vestia todos os dias, na verdade, era uma defesa pra não se olhar no espelho, pra não procurar o que ela tinha de mais bonito por medo de não encontrar nada. Era um jeito a mais de não se relacionar com o mundo. Mas o trabalho da consultoria é totalmente esse, o de despertar a consciência para a imagem que fazemos de nós mesmas. E claro que achamos um monte de coisas lindas nessa cliente! E ao fim ela se sentiu mais confiante em estabelecer uma nova relação com o mundo. Um resultado que pode ser alcançado de várias maneiras.

Sei que muita gente não vai se identificar, mas não é estranho entrar no closet e enfiar qualquer coisa, qualquer roupa para trabalhar, pra encontrar um amigo, pra almoçar com a família, pra receber o marido ou uma prima de longe, sem pensar em como isso influencia o que vemos de nós mesmas e o que o mundo vê? Minha proposta da semana é que todo mundo pare pra pensar em como está se apresentando ao mundo e, consequentemente, a si mesma.  Depois me contem.

Mais sobre imagem e estilo no meu instagram @fabianacorrea_estilo  (Todos os looks são da loja inglesa Asos).