Um dia, quase que de uma hora pra outra, a gente deixa de ser filha e vira mãe. De repente, as minissaias não servem pra toda hora, porque como é que faz pra abaixar em público (a cada 2 minutos) pra pegar os brinquedos que a criança joga no chão? Maxi brincos e mega colares? Eu adoro, mas os bebês também. Então deixei na gaveta por um tempo até que a obsessão do meu filho por essas bijus acabasse. E eu não fiquei nada feliz quando meu menininho de 2 anos (que hoje tem 10), rasgou um lindo vestido com os dentes. E, como resposta, disse que poderíamos achar um parecido no supermercado. Grrr! Respira e vai. Pro shopping, claro.

Nesse dia eu percebi que roupa de brincar tem que ser livre, leve e solta não só para as crianças, mas para as mães também. Claro que adoro me vestir bem pra assistir as apresentações de violino do meu filho. Acho que demonstra (pelo menos na minha visão de quem ama roupas), que eu estou levando a sério o concerto de violino dele, que estou me vestindo à altura de um evento importante. Ainda que seja no salão da escola e não na Sala São Paulo. Aliás, roupa de mãe nessas horas tem que incluir os óculos escuros pois, como diz a música de Toquinho e Vinícius, você pode estar certa que vai chorar.

Mas roupa de mãe muda não só por conta da necessidade de praticidade, mas porque mãe tem um outro papel no mundo. De repente, somos aquele ser que precisa inspirar uma certa autoridade, uma seriedade (ainda que com doçura), um certo ar de quem sabe das coisas e precisa dar respostas certeiras para perguntas cabeludas. Claro que tem mães que se vestem como as filhas adolescentes e usam numa boa os mesmos shortinhos jeans que suas rebentas. Sem problemas. Eu também gosto de algumas saias que trouxe para o guarda-roupa 10 anos atrás, mas me sinto mais confortável quando escolho peças um pouco mais “maduras”, vamos dizer assim. Não acho que é caretice, é só que – assim que meu filho nasceu – fui me sentindo mais adulta a cada dia, a necessidade de deixar bem claro ali quem é mãe e quem é filho. Mesmo que as vezes essa fronteira desapareça e a gente vire criança de novo. Deliciosamente.

Mas o que é essa roupa de mãe, afinal? Precisa encaretar? Precisa ser de moletom? Não!!! Ou – pelo menos – não o tempo todo. Tem que ser adequada ao que a gente vai viver. Se for brincar de balança, pense que aquela saia de seda não vai funcionar. Peças de malha gostosas vão bem. Não precisa ser exatamente legging. As calças de alfaiataria com elástico no tornozelo, que estão super em alta, também são ótimas: têm um quê esportivo e chique ao mesmo tempo. Misturar peças de ginástica, como uma jaqueta de nylon fininha, levinha, colorida, reforça o ar esportivo, mas mantém você super dentro das tendências. Também não é porque é mãe que tem que andar com roupa babada por aí né? E eu não estou me referindo aos babados românticos, mas àqueles que saem das lindas boquinhas de nossos babies. Mãe pode e deve continuar feminina, sexy, chique.

Bolsas? Sempre. Tem que levar lencinhos, lanchinhos etc. As bolsas à tiracolo são as melhores pois mantêm a abertura sempre ao alcance das mãos. As carteiras podem ficar para outros momentos: acho perigoso ter mais uma coisa pra carregar pois, infelizmente, quando a gente vira mãe não ganha dois braços a mais. E nos pés? Eu amo saltos, mas recentemente abandonei porque vi que a vida é muito mais confortável à bordo de sapatilhas e de oxfords baixinhos. Recomendo. Mas os saltos grossos também funcionam, dão mais segurança para eventuais correrias.

E tem aquela ocasião que pouca gente consegue fugir, que é estar na porta da escola às sete da manhã. Acredita que tem mãe que aparece a essa hora com o cabelo todo arrumado, maquiada e pronta pra arrasar? Deveria dar cadeia…rs. Nessas horas, um trench coat sobre a camisola resolve: ninguém vai ver o que está por baixo e, se você pode voltar pra casa pra tirar mais  um cochilo, já está preparada. E, claro, tenha muitos vestidos. Mãe tá sempre atrasada, nada é mais fácil de vestir do que essa peça.

Esses dias conversei com uma psicóloga que faz um trabalho biográfico e que relaciona as fases da vida ao nosso guarda-roupa. A cada 7 anos, mais ou menos, passamos por “crises” que mudam nosso rumo em alguma instância da vida e é bom que após esses períodos a gente faça uma limpa no closet (isso se a coisa já não aconteceu naturalmente). Roupa pode ser fantasia de vez em quando, mas o bom é quando ela reflete tudo o que somos e o que vivemos. E cada mudança de rumo em nossas biografia.

Feliz – e bem-vestido – Dia das Mães!

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(Todos os looks das fotos: Net a Porter)