Marie Kondo A Mágica da Arrumação

Aparentemente, adoramos regrinhas. E se forem regrinhas que se digam revolucionárias, então, a gente gama. Prova disso é que o livro A Mágica da Arrumação, de Marie Kondo, virou um best seller imediato nos Estados Unidos e parece estar repetindo o sucesso por aqui. Algumas clientes já me disseram que estão aplicando a nova técnica – e eu mesma tenho usado alguns dos preceitos do livro para organizar guarda-roupas durante as consultorias. O mais bacana? Ao começar a arrumação (ou o destralhamento), o foco é escolher o que vai ficar, não se debater sobre o que vai embora. Eu gostei de algumas regrinhas e descobri que elas pregam exatamente minha regra número um do guarda-roupa: só compro, tenho e mantenho dentro dele o que eu amo (já falei sobre isso aqui) e o que eu uso muito.

Organização é uma das partes mais importantes do trabalho da consultoria de estilo – e dica número um pra quem quer se vestir de um jeito bacana, sem perder tempo na frente do espelho. Mesmo porque é grátis. E olha que disso eu entendo pois já tive um dos guarda-roupas mais bagunçados que conheci. Mas isso foi em outra encarnação… rs. Hoje está tudo arrumadinho e separadinho. Assim fica mais fácil encontrar combinações por cor (cinza com amarelo? é só procurar entre claras e mais escuras); por uso (casaco mais sério pra trabalho e a calça de alfaiataria) e por tipo (uma camisa leve pra combinar com o vestido florido estilo férias). Mas essa não é a realidade de muita gente, tanto que o livro está vendendo como água. Acho que o motivo por trás disso não é só ter uma casa mais arrumadinha, mas que junto com um armário entulhado, cheio de roupas que só cabiam no passado, de peças que não te representam mais ou que ainda estão com a etiqueta, meses depois de compradas, está uma vida desorganizada, presa ao passado, desorganização financeira, e cotidianos cheios de coisas que não lhe servem mais.

Claro, o método também não é unanimidade e já gerou uma certa discussão, quando uma colunista americana disse que devemos celebrar a arte da bagunça em vez de jogar tudo fora, como prega a japonesa. Você decide, há de fato uma certa vida na bagunça. Mas com limite.

Não concordo com o método de Marie Kondo 100% do tempo. Ela é radical demais quando diz respeito às nossas lembranças, a descartar cartões ou fotos de uma vez só. Todo mundo precisa de um pouco de “excessos” na vida. Mas, quando se trata de roupas, assino embaixo. Acho que mudar o guarda-roupa ajuda a mudar a vida pois é um super exercício de autoconhecimento e muda a primeira coisa com que as pessoas se relacionam de nós: nossa  imagem. A moça me pareceu um tanto exagerada pois passou a infância arrumando armários (não só os dela, mas os da família e sem autorização, meu Deus), mas acho legal quando ela aconselha a pegar uma peça por vez nas mãos, segurar contra o peito (meio dramático, mas que nunca?) e perguntar a si mesmo se aquilo te traz alegria. Se sim, fica. Se não, não tem perhaps. Agradeça o que aquilo já trouxe de bom pra sua vida e dê ao objeto um fim mais digno. Essa organização-reflexão faz muito bem pra vida, ajuda a ganhar tempo na hora de se vestir de manhã, traz a segurança de que estamos sempre bem-arrumados, ao menos de acordo com nossos próprios padrões.

Enfim, aqui vão algumas dicas do livro no que diz respeito a roupas, que é exatamente a primeira categoria na ordem de destralhamento de Marie.

1. Escolha um dia em que vai estar sozinha (o) e que vai poder se dedicar de corpo e alma. A ideia é terminar tudo no mesmo dia, portanto tem que acordar cedo.

2. Não deixe ninguém ver pois vão começar a questionar sua arrumação e, possivelmente, querer ficar com peças que você está descartando. E a ideia é diminuir a bagunça, não mudá-la de lugar.

3. A ordem de avaliação é essa: blusas (partes de cima em geral), partes de baixo, roupas de pendurar (casacos, blazers, ternos), meias, roupa íntima, bolsas, acessórios, roupas para ocasiões especiais (uniformes, roupa de praia),  sapatos. Coloque absolutamente tudo no chão, separado dessa maneira, em pilhas.

4. Pegue peça por peça na mão, segure com atenção e se pergunte se aquilo traz alegria para sua vida. Se não, expresse sua gratidão por ela e desapegue. Só pare quando pegar nas mãos o último par de sapatos. O método KonMari não foi feito para ser aplicado em etapas.

Marie também fala de como dobrar, pendurar, organizar. Mas acho que reduzir o closet ao essencial é o melhor ensinamento do livro. Me conta depois se deu certo?

Mais sobre organização, bagunça, closet e bem-vestir no meu Insta @fabianacorrea_estilo. Vai lá!