Logo cedo me perguntaram o que eu achei do vestido branco de Marcela Temer. E, como não tinha visto ontem, fui procurar. Junto com as fotos, muitas opiniões. Parte do meu trabalho é cuidar da imagem de profissionais, executivos, empresários (nunca me interessei em fazer para políticos, mas também nunca me chamaram…). Pelo visto, Marcela estava bem orientada. Apareceu como se não quisesse aparecer. E, por isso mesmo, chamou muita atenção. Como se fosse algo totalmente sem esforço. Mas, gente, nunca é, né? Sem esforço, nesse caso e nessa ocasião, seria um tailleurzinho em tom pastel e coque. E mesmo assim mandaria uma mensagem – conservadorismo, discrição feminina, adesão ao status quo.  Mas um vestido branco esvoaçante de algodãozinho, meio campestre, super simples, daqueles que qualquer mortal poderia comprar na C&A, em outros momentos escolhido a dedo para não causar, causou.  Teve críticas, elogios, críticas às críticas, críticas aos elogios. Teve gente que falou que era bandeira de paz. Ou um atestado de simplicidade. Até limpeza. Well…

As minhas críticas ou elogios eu deixo pra outra hora. Quero só aproveitar essa ocasião que tá todo mundo comentando a roupitcha pra falar de como o que a gente veste passa mensagem. Só pra continuar no quesito primeiras-damas. Michelle Obama passou oito anos mandando mensagens por meio de suas roupas: independência, contemporaneidade, desapego das convenções, diversidade. Em termos de guarda-roupa –  nenhuma escolha é isenta. O mais legal, no caso da Michelle, é que essas mensagens tinham tudo a ver com suas atitudes. Uma mulher forte, que teve seu papel no sucesso do marido, que criou projetos enquanto esteve na Casa Branca, que disse a que veio e fez história. Aliás, a só funciona assim: se a imagem combina com as realizações e com a personalidade. Cosplay não convence ninguém. No baile que inaugurou o segundo mandato de Bill Clinton, alguém vestiu (muito mal), Hillary Clinton como se fosse Jackie Kennedy, com um vestido muito parecido com o que a icônica primeira-dama usou no baile de posse em 1961. E esse não funcionou – Hillary não é fashion icon, não tem esse porte e claramente estava deslocada naquele longo de tafetá de seda. Imagino que você, leitora, não seja a primeira-dama (ufa!), mas pode ser uma empresária, executiva, estagiária, empreendedora, arquiteta, advogada, professora. Pode estar em seu dia de sorte, ir a uma entrevista de emprego, apresentar sua ideia de negócio a investidores, conhecer um cara interessante, ter uma aula para universitários pela frente. Pode escolher ir de camiseta e jeans puído. Pode ir de minissaia. Pode ir de mídi ou vestido longo. Ou terninho de lã cinza. Não critico e nem elogio nenhuma escolha, a não ser que eu seja contratada pra isso (rs). Tudo depende da personalidade, objetivo e do estilo de quem veste. Mas lembre-se que roupa sempre fala. Aproveite para passar sua mensagem.

Até logo!

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