Bill Cunningham/ The New York Times

Bill Cunningham/ The New York Times

Mês passado morreu o fotógrafo Bill Cunningham, uma das figuras desse mundo da moda com quem eu mais me identifico. Como ele, não ligo muito pro espetáculo da moda propriamente dito. Eu gosto mesmo é das roupas, do jeito que elas podem transformar as pessoas, seu humor, sua percepção de si mesmas, até sua relação com o mundo.

Não tem nada a ver com etiquetas famosas. Acho que tem um pouco a ver com a fantasia que temos de nós mesmos, e que acaba influenciando o jeito que a gente se mostra.

Recentemente uma cliente me disse que a consultoria foi não apenas uma reorganização do guarda-roupa dela, mas foi, sim, uma reorganização da maneira como ela vê a si mesma. Acho isso demais, não é a tôa que escolhi esse trabalho. Nossas mudanças, obviamente, são internas. Não sou fútil a ponto de dizer que é só vestir o vestido certo e você vira outra pessoa. Mas a mudança externa acaba nos transformando também por fora. Se a gente deixar. Olha a Cinderela aí que não me deixa mentir.

 

“Eu não conseguia nunca me concentrar na missa de domingo porque eu estava sempre concentrado nos chapéus das mulheres.” Bill Cunnningham

 

 

Em qualquer lugar que eu esteja, estou sempre olhando o que as pessoas estão vestindo. E as roupas dizem MUITO sobre as pessoas. Claro, a classe social e as possibilidades que ela tem na conta bancária influenciam essas escolhas, mas apesar disso as pessoas se revelam muito pelo que vestem. Ou pelo que não vestem, muitas vezes. E não é exatamente na moda que estou interessada. É de roupa que eu gosto. O que os estilistas apresentam a cada estação eu acompanho mais por obrigação profissional do que por interesse de verdade. Meu interesse é como as pessoas compõem a fantasia que elas irão usar todos os dias. Como disse Bill (olha eu, que íntima), a moda é a armadura que usamos para sobreviver à realidade cotidiana. “Eu não acho que você pode desparecer com isso. Seria como acabar com a civilização”. Não é brilhante?