marilyn monroe

Imagine essa foto, com Marilyn no auge da juventude e beleza, postada numa conta de Instagram hoje, em tempos de gordofobia e de barriga negativa. Já tô pensando no linchamento virtual, como já foi feito com outras mocinhas que apareceram levemente fora do peso (no caso, esse era o ideal de beleza da época, mas só imagine…). Nossa repulsa pela gordura, pelos pneuzinhos e pneuzões, pelos furinhos de celulite e tudo o que vêm com os quilos a mais têm crescido na mesma proporção, ou além, da obesidade da população mundial. Ou seja, quando mais gordos estamos (modo de dizer, claro, você aí pode não estar, mas vamos falando de população), mais odiamos a gordura. Alheia ou própria. Segundo a ONU, nos últimos 30 anos, a quantidade de obesos no planeta subiu quase dez pontos percentuais e os obesos já são 38% dos habitantes do planeta. Esses dados são de 2013. Receio que hoje eles já tenham aumentado significativamente. Estamos mais sedentários e, além disso, há uma indústria da comida empenhada em fazer alimentos que engordam sem nutrir.

Gordinhos e gordinhas enfrentam preconceitos não só por serem gordinhos e gordinhas, mas por representarem a falta de persistência, de cuidado consigo, a preguiça. E como é que não conseguem perder peso, com tantas possibilidades disponíveis no mercado? Como é que pode, pedirem uma coxinha na padaria enquanto tem tanto suco verde no mercado? Veja o Instagram da blogueira de fitness, mostrando o quanto é possível botar o #bumbumnocoque! Acordar cedo para malhar deixou de ser uma escolha pessoal de saúde e bem-estar (que eu incentivo e procuro adotar, deixo claro) para ser uma declaração de virtudes e de princípios. E haja seguidores no Snap para reforçar a tese de que você é um ser humano exemplar, persistente, elevado e digno de admiração só porque suou o abdômen de madrugada. Menos, bem menos. Dançar, pedalar, correr, caminhar, nadar. É tudo uma delícia e faz muito bem pra quem gosta. Mas vamos parando por aí. Não te transforma num ser espiritualmente melhor, só te faz mais magro e mais saudável. O que já tá de bom tamanho. Quer se elevar, vai meditar e ajudar a reduzir a pobreza no mundo.

Quase todas as minhas clientes querem parecer mais magras. Mesmo as que já são magras. Até mesmo algumas muito magras. Declaram que detestam aquela barriga, aquele braço gordinho, aquelas bochechas, aquelas coxas grossas quase todos os dias, quando se olham no espelho. Isso é feminino desde que eu me conheço. Mas será que já não está na hora de questionar esse ódio pelas gordurinhas? Estamos acostumados a associar sobrepeso a desleixo e falta de amor próprio. Só que é comum ouvir mulheres xingando a si mesmas e se depreciando porque ganharam alguns centímetros na cintura ou no bumbum. Então é bom pensar no que vem primeiro, a falta de autoestima ou as gordurinhas. Já falei disso aqui, no post Tô Gata!

Dia desses voltei numa loja que eu costumava comprar há algum tempo e descobri que meu tamanho na grade deles, agora, é G. E olhe lá. Era M há um ano. Sim, sim, eu sei que dei uma engordadinha depois que casei, brinquei com a vendedora, mas é quem é mais cheinha? Na semana seguinte, estive lá com uma cliente que não é absolutamente gorda, e não encontramos nada para ela. Nosso preconceito com a aparência está tomando essas proporções. Na vida real, banco de metrô mais largo para acolher uma população cada vez mais pesada. Nas vitrines e nas redes sociais, roupas cada vez menores e mulheres cada vez mais magras e malhadas, mostrando como é fácil ser feliz se você passar fome, comer barrinhas e dedicar suas manhãs ao crescimento dos glúteos. Não sou a favor da obesidade nem do sedentarismo. Defendo estarmos felizes com nossos corpos, sem tanta cobrança, sem tanto preconceito, sem modelos inatingíveis. Se o mundo fosse cego, que marca você deixaria nas pessoas com quem se relaciona? Sou a favor de aceitarmos e acolhermos – a nós e aos outros.

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