Ela me procurou querendo não só um novo guarda-roupa, mas uma nova vida. Depois de 13 anos de casamento, chegando aos 40, os filhos entrando na adolescência e ganhando “vida própria”, se viu solteira de novo. Queria sair pra dançar com as amigas que nunca casaram, ou que já tinham se separado faz tempo. Ou que são festeiras mesmo e deixam os maridos em casa na buena. Queria esticar nos happy hours com o pessoal do escritório, queria paquerar, ver e ser vista. Mas seu closet não tava no mesmo ritmo frenético. Tinha opções para fondue com o maridão, eventos de família e para levar as crianças na escola. Nada muito apropriado para dançar até o chão.

Estilo é algo único, mas guarda-roupa vai mudando com a gente, dependendo da fase da vida. Solteira, casada, mãe, separada, vovó… Claro que tem gente que continua firme e por isso não é incomum ver a mãe usando as roupas das filhas adolescentes. Mas tem hora que aquelas peças que serviam tão bem pra baladinha com a turma da faculdade não correspondem mais à mulher que a gente se tornou 15 anos depois. Ainda que a situação (a balada, no caso, não a faculdade), seja igual.

Por mais que tenha sido um desejo, separação dificilmente é um momento gostoso da vida. Sim, temos uma promessa de uma vida nova pela frente, mas naquele exato momento é um peso dividir responsabilidades de uma outra maneira – pra quem tem filhos,  reorganizar a casa, achar um novo lar, ver quem fica com o cachorro e até com os amigos. O closet pode parecer o menor dos problemas, mas eu vou te contar que cuidar de si mesma nesse momento faz muito bem e ajuda seguir em frente. De agora em diante, você pode escolher só as roupas que te agradam. Não precisa mais usar aquele colar que a sogra de te deu no Natal e que é “a sua cara”! (geralmente quando um presente vem acompanhando dessa frase é porque não tem absolutamente nada a ver com você). Não precisa mais se vestir de pretinho básico pra ir aos compromissos profissionais do marido (show). E chame de volta à vida aquela mini que você não tinha mais onde usar. Aquele decote que não caía muito bem nos almoços de família.

Primeiro passo, portanto, é botar uma roupa confortável e passar o dia tirando o que não te serve mais dos cabides. E que delícia se livrar daquela camisolinha de seda e substituir por um pijamão de flanela. Ok, tem gente que não faz esses sacrifícios pelo homem amado, mas sempre tem algo que está lá por segundas intenções, ainda que exija um certo sacrifício ao ser usado. Nenhum marido ou namorado me impediu de usar meus pijamões, mas eu sempre ouvi protestos ao chegar no quarto com eles (já estou ouvindo os protestos mas não, não sou machista. Só acho que as vezes não custa nada agradar). Quem tem orçamento, faz uma listinha do que falta pra se sentir gata na balada. Quem não tem, adapta o que tem (e sempre tem coisa esquecida, por um motivo ou por outro). Aliás, dá uma lidinha no post TÔ GATA que serve muito bem pra essa hora. Descartados os absurdos que estavam lá por obrigações, não por gosto, e fique só com o que tem a ver com você. Vista-se como quer. Vista-se pra você.  O guarda-roupas da mulher solteira (again) é um guarda-roupa livre. Quer coisa melhor?

Mais dicas para separadas, casadas e tico-tico no fubá no meu insta. @fabianacorrea_estilo