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O que é feito à mão é cada vez mais valorizado nesse mundo onde quase tudo é pausteurizado e igual. Paula Raia acaba de apresentar uma coleção cheia de bordados e feltrangem, um trabalho super delicado que leva tempo e foco para ser feito. Martha Medeiros vende vestidos de renda feita à mão a milhares e milhares de reais e ninguém duvida que valham. Aqui e ali, vêm surgindo uma moda que usa o que nossos artesãos oferecem de melhor e, ao fazer isso, valoriza também o trabalho dessas pessoas (levando em consideração, claro, que toda a cadeia é bem remunerada, não só quem assina a etiqueta). São bordadeiras, crocheteiras, marcheteiros (?), joalheiros e joalheiras. Gente que se dedica a produzir com as próprias mãos aquilo que vai para nosso guarda-roupa e que, parece, vem sendo mais bem cotada na cadeia produtiva. Aos poucos, mas vêm. Esse é um dos pontos presentes no conceito do slow fashion, mas essa ideia vai além do que fazer à mão. Slow fashion, que vai contra a correria da moda atual, que obriga estilistas e costureiras a produzir sob pressão e acaba alimentando, muitas vezes, condições de trabalho desumanas, paga melhor quem produz de fato as peças e tenta retroalimentar o mercado local. Ou seja, usar mão de obra local para consumidores locais em vez de fabricar na China ou em Bangladesh para vender no Brasil.

Hoje e amanhã  (29 e 30/04) está rolando uma ótima maneira de começar a conhecer esse novo jeito de produzir e de consumir moda,  que é o Mercado Manual, em sua segunda edição no Museu da Casa Brasileira. Além de ver os expositores, que fazem roupas, cerâmicas, sapatos, jóias, quem visitar vai participar de oficinas de trabalhos manuais, ouvir música ao vivo, comer coisinhas gostosas, brincar. Sem contar que o museu em si já é um baita passeio lindo.

Uma das pessoas que vai estar lá e que vem promovendo essa mudança no mercado fashion é a estilista cearense Celina Hissa, das bolsas Catarina Mina (foto no alto). Não são apenas feitas à mão, elas de fato valorizam essas mãos que bordam, costuram, crochetam etc. Celina não queria mais trabalhar no ritmo das coleções semestrais ou trimestrais, correndo para produzir, produzir e produzir. Mesmo porque essa pressão recairia sobre suas parceiras, mulheres artesãs  que trabalham em suas casas, cuidando de sua família ao mesmo tempo em que as sustentam e que muitas vezes não estão nem perto das grandes cidades. Elas têm seu ritmo próprio e ele definitivamente não é o da indústria da moda, que põe roupas nas araras ao mesmo tempo em que estão aparecendo no desfile.  Suas artesãs são apoiadas pela marca, que dá capacitação para grupos de mulheres que querem fazer e vender seus produtos em sua comunidade. Além disso, Celina resolveu abrir os custos de produção de toda a cadeia das bolsas, do marketing ao que é pago para cada costureira. Ou seja, você sabe exatamente para onde seu dinheiro está indo e, no caso das bolsas, a opção é gastar menos em marketing e pagar bem quem faz. Faz sentido, né?

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O Mercado também traz gente bacana e criativa, que está indo no mesmo ritmo. A Manu Rodrigues, da Cabana Crafts, é outra estilista que, depois de ter conhecido por dentro grandes grifes internacionais, resolveu fazer a sua marca e abolir esse negócio de coleções sazonais. Ela faz acessórios atemporais (na foto acima, uma de suas bolsas de viagem), inspirada numa sandalinha que comprou na Grécia há anos atrás e que não queria que acabasse nunca. Quando acabou, ela resolveu criar a Cabana para atender quem é como ela: quer peças que durem e não tá a fim de renovar o closet a cada temporada.

Conhecer esse pessoal é entender melhor o que significa essa moda mais vagarosa e se conscientizar sobre o que está envolvido na produção das peças que a gente pendura no nosso cabide. O Fashion Revolution Day, que aconteceu semana passada, levanta essa bandeira ao perguntar “Quem faz sua roupa?” e nos levar a pensar que, por trás dessa cadeia super rápida em que se transformou o mercado da moda, existem pessoas trabalhando para suprir tudo isso. Ao olharmos uma roupa linda bordada à mão ou uma bolsa costurada por um artesão, vale a pena tirar um segundinho para pensar em tudo isso e compor um guarda-roupa mais justo e ético, não apenas bonito.

 

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