Delírios de consumo de Becky bloom

A vida não pode ser só um preenchimento de necessidades básicas. A única coisa essencial é o supérfluo, já disse Oscar Wilde. Imagine se a gente estivesse fadada a comprar sapatos só por necessidade? Teríamos dois ou três no guarda-roupa. Mas, claro, a gente quer ficar mais bonita, criar uma imagem que expresse nossa personalidade etc etc etc. E, sim, somos humanas e por isso a gente deseja, deseja, deseja. Tudo bem, né? Mas quantas vezes não chego na casa de alguém e tem aquela dezena de sapatos que nunca foram usados. Ou casacos. Ou vestidos. Ficam lá, tristinhos no guarda-roupa, sem função. Enquanto isso a dona tá no shopping comprando mais um…rs. E, como agora é a hora da liquidação, acho que é um bom momento pra gente refletir sobre o que precisa comprar mesmo.

Falar de consumo consciente tá na moda, mas a questão social não é o único motivo pra gente parar e pensar antes de comprar. É porque comprar exige dinheiro e eu não quero ver ninguém se apertando para pagar o cartão por conta dos excessos no shopping. Esse post é para você, que quer aproveitar os preços baixos, se possível, mas sem gastar os tubos.

Dia desses eu li alguém dizendo que, se você está sem grana, não vá aos shoppings. Essa é a minha primeira regra para esse ano que começa cheio de liquidações. Está sem dinheiro? Quer economizar mesmo para uma viagem ou um curso? Está com dívidas? Esqueça o shopping. É muita tentação nesse momento. Não abra mão do que você quer muito no futuro por algo que você deseja agora. Te garanto que, quando chegar lá, nesse futuro, você vai se orgulhar de si mesma e vai ficar muito mais feliz com o objetivo que alcançou do que com um sapato novo no armário.

A segunda regra (totalmente pessoal) sobre liquidações é NUNCA comprar só porque está barato. Você não vai precisar daquilo um dia. Compre algo que você estava precisando (tênis para treinar, blazer para trabalhar etc) ou algo muito especial. Nas liquidações eu aproveito para ir às lojas de maior qualidade e exclusividade, aquelas que não dá pra entrar com frequência durante o ano, mas que têm roupas que duram, que fazem a diferença no guarda-roupa. Roupa baratinha, de fast fashion, que não aguenta nem até o carnaval, está disponível durante o ano todo. O momento é para investimentos. Quando a gente vai investir, a gente avalia as diversas possibilidades antes de fechar negócio. Mais: quando a gente passa a olhar roupa como investimento, a gente pensa mais e compra o que realmente é bacana e bom para nosso estilo.  Eu já escrevi sobre o assunto nesse post aqui.

Minha terceira regrinha básica tem a ver com as escolhas. O lugar comum das matérias sobre liquidação é que é hora de aproveitar para comprar os básicos. Camisa branca legal, jeans bonitão, scarpin preto… Pode até ser. Mas acho que o legal mesmo nessa hora é comprar uma peça incrível que custa caro demais e não faz tanta falta no guarda-roupa no dia a dia, mas que quando você tem faz muita diferença no seu estilo. Algo que você queria e sabe que tem a ver com você, mas não comprou antes justamente porque não era algo que realmente “precisasse”. Eu achei um casaco telado branco esses dias que é muito, mas muito legal e vai fazer muita diferença nos meus looks, mas que eu não compraria se não estivesse custando metade do preço. E fiquei tão feliz com ele que não precisei comprar mais nada. Foi meu achado do verão (essa aliás, é uma ótima (leia sobre loucurinhas que valem a pena aqui) regra para liquidas: coloque um teto para os gastos, algo que realmente caiba no seu orçamento. Seja com uma peça ou três, não ultrapasse esse teto.)

Com ou sem roupa nova, feliz ano novo. Para estar bem com a gente mesmo e chegar onde se quer, a única renovação que a gente precisa nesse mês de janeiro é a de alma. A do guarda-roupa, não se preocupe, pode ficar para depois. Sempre haverá outra liquidação.

Bom 2016.

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