No final do mês passado, a Pantone anunciou uma nova cor em sua tabela gráfica usada como referência mundial: Period, uma tonalidade de vermelho que faz referência à menstruação. De acordo com a empresa, a iniciativa é uma forma de combater o preconceito a respeito do assunto.

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Period, nova cor da Pantone inspirada na menstruação (foto: divulgação)

Sem entrar no mérito do vai funcionar ou não, a questão causou polêmica nas redes sociais. Enquanto muitos acharam a ideia revolucionária, outros acreditam não ser esse o caminho para tratar um assunto delicado, há séculos apontado como íntimo e incômodo. E ainda houve quem disse que a cor não era exatamente aquela – lembrando que a tonalidade foi criada em parceria com uma empresa sueca de artigos femininos.

De fato, estigmatizar cores pode ser um caminho arriscado. Quando, em 1914 um jornal norteamericano orientou as mães a usarem azul para meninos e rosa para meninas, não imaginou a proporção que essa “determinação”, consolidada com a chegada das máquinas de ultrassom para averiguação do sexo nos anos 1980,  poderia causar na sociedade.

Claro que, neste caso, o rosa e azul são subjetivos, mas, de fato não fizeram a sociedade enxergar as tonalidades como definidoras dos sexos durante anos? E, no caso, provocou uma divisão da indústria a partir desse conceito. Ou, melhor, preconceito que espero não existir  mais na geração do meu neto.

Condicionar uma tonalidade de vermelho a um tópico tão corriqueiro e, ao mesmo tempo, que grande parte das mulheres quer eliminar da sua vida pelo incômodo e desgaste físico que causa, foi uma percepção de empatia por parte da empresa e uma atitude de vanguarda. Escancarar o fato como algo que deva ser tratado com tanta naturalidade, no entanto, já tenho minhas dúvidas – de que forma pode ajudar as mulheres a enfrentar de forma mais tranquila esses mais de 2.500 dias de desconforto? E , por último, fica o questionamento: você pintaria a sua sala de “vermelho menstruação”?