Passado mais de um ano sem visitar uma mostra presencial de decoração em São Paulo (em junho dei uma rápida passada na CasaCor no Rio de Janeiro em razão dos protocolos sanitários), fiz uma imersão profunda no mundo do design de interiores nos últimos dias. Estive na CasaCor, na filial da mostra em Ribeirão Preto e, na última segunda, passei o dia em meio às novidades da edição comemorativa de dez anos da DW! São Paulo Design Week. 

(ANELISA LOPES ESCREVE ÀS TERÇAS. PERFIL NO INSTAGRAM: @anelisalopes)

Aos que ainda não são familiarizados com a Design Week, vale a explicação: é um festival gratuito que acontece em vários pontos da capital paulista para promover o design e a arquitetura em suas mais variadas formas: lançamentos em lojas de decoração, palestras, intervenções artísticas, entre outros. 

Uma das definições que ouvi em um dos talks resume bem o momento que estamos vivendo: a reinauguração do mundo. Trazendo para a minha realidade profissional, percebo que o período de isolamento social provocou uma nova conexão do morador com sua casa e, a partir daí, uma nova forma não só de ser acolhida por ela como também de receber amigos e familiares de maneira mais seletiva e intimista. 

Receber e acolher como diretrizes do design atual. Projeto do Studio Ar Interiores, CasaCor Ribeirão Preto (foto: Anelisa Lopes)

Em todas as mostras e novas coleções, é nítida a busca por elementos que remetam às nossas origens e memórias, o uso de uma paleta de cores baseada em tons crus e terrosos (areia, terracota e tonalidades mais escuras de amarelo e de vermelho) e de materiais naturais, como linho, couro, madeira, além de muito paisagismo. O uso de pedra, como mármore e granito, ainda é presente, mas já se nota uma tímida substituição por lastras (peças de grandes formatos) de porcelanato, por exemplo, para cobrir bancadas. O artesanato nacional, por sua vez, veio para ficar em suas várias interpretações: de tapeçaria a objetos de arte e decoração como um caminho alternativo à produção em massa. 

Projeto do BC Arquitetos na CasaCor SP com artesanato (Foto: MCA Estudio)

Esta preocupação voltada ao ambiental e tudo que é finito tem levado as marcas a criar novos caminhos para sua produção, que vão além da escolha consciente de matéria-prima. Emissão zero de carbono é uma das pautas recorrentes entre os grandes fabricantes, além de uma fabricação criativa de itens com sobras ou aquilo que seria descartado.

A modularidade é um dos conceitos que ganhou força no desenho de mobiliário, traçando um paralelo entre o individual e a força do coletivo. Sofás, mesas, estantes e até tapetes podem ser montados com uma única ou várias peças de acordo com o gosto e disposição financeira para investir do cliente. Dentro deste universo, as possibilidades de montagem dão vazão à criatividade e deixam de lado a monotonia de ter sempre um móvel com a mesma cara.

Modularidade nos móveis traça um paralelo entre o individual e o coletivo . Sofá Coleção Juntos Líder Interiores (foto: Anelisa Lopes)

Estante modular fixada por imãs. Lançamento da Mula Preta (foto: Anelisa Lopes)

Tapete modular da By Kamy (foto: Anelisa Lopes)

Coleção da Glória Coelho na Breton utiliza couro a partir de coleta ecológica (foto: Anelisa Lopes)

Em tempo: para quem quiser conferir em São Paulo: a CasaCor São Paulo acontece até o dia 15 de novembro, a de Ribeirão até 07 do mesmo mês, enquanto a Design Week acaba no dia 10. Fora daqui, estão acontecendo a CasaCor Minas Gerais, Paraná, Goiás, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul.

DW! São Paulo Design Week

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