No feriado em que se comemoraram os 467 anos de São Paulo, como boa paulistana, passei trabalhando. Mas, para realizar esta missão, tive o privilégio de passar por locais nunca antes visitados na cidade em 39 anos. E não foram poucos… Do centro da cidade à zona norte, da zona norte ao Jardim Europa, do Jardim Europa à represa de Guarapiranga. Como a cidade estava relativamente vazia, pude observar com clareza a imensidão de contrastes e influências de design que essa metrópole abriga.  

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A opulência do centro de São Paulo (foto: arquivo pessoal)

O centro, embora revitalizado e policiado em alguns pontos, infelizmente, se mantém como destino de quem vem de longe e não tem onde se fixar. Moradores de lugar algum disputam espaço com suas barracas de lona em meio a uma arquitetura opulenta e remanescente da primeira República (1889 – 1930), período em São Paulo se consolidava como pólo industrial. Lustres, vitrais, arabescos e muito mármore trazem a memória do dia-a-dia de cem anos atrás.  

Do centro para a zona Norte, berço do grafite paulistano, onde colunas que sustentam a linha 1 do trilho do Metrô acabaram se tornando um museu a céu aberto. A origem é, no mínimo, inusitada: um grupo de grafiteiros que pintavam as colunas foi preso e, na delegacia, tiveram a ideia de apresentar um projeto para a Secretaria da Cultura. Assim surgiu o MAAU, que concentra 66 painéis ao longo da avenida Cruzeiro do Sul – que, infelizmente, também servem de abrigo para moradores de rua. 

O grafite se tornou uma constante forma de expressão e ganhou posições de relevância não só em painéis de prédios antigos no centro da cidade e nas colunas do metrô como também na fachada de museus, como o MIS. No Jardim Europa, as amplas ruas arborizadas, que emolduram mansões do início do século passado e construções pra lá de contemporâneas, é difícil não sonhar em ganhar na loteria para ter a oportunidade de habitar um pedacinho deste bairro de classe média alta. 

Mas não é só o jardim Europa que que nos faz admirar a arquitetura. No extremo da zona Sul de São Paulo, na Guarapiranga, uma aula de wakeboard em meio à represa me mostrou um cenário inusitado: de um lado, a skyline da capital e, de outro, construções residenciais com certa influência modernista, em meio à selva, mas não de pedra e,sim, da que fica em torno da represa. Refúgios que só conseguem ser avistadas pelo céu ou por meio de transporte aquático. 

Terminei meu feriado grata por pertencer a uma cidade tão plural e tão rica de programação. Planos para os próximos feriados não faltarão.