Dia desses, uma colega professora postou uma imagem com dez matérias que deveriam ser obrigatórias para os jovens a partir do o ensino infantil. Desde que o isolamento começou em casa em razão do fechamento das escolas, nunca fez tanto sentido para mim algumas indicadas pelo post: inteligência emocional (autoconhecimento), gestão de tempo (equilíbrio entre brincar, estudar e cuidar da higiene), educação ambiental (reciclagem e reaproveitamento de materiais), nutrição (fontes de vitaminas, proteínas e afins) e comunicação (saber expressar pensamentos). 

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Reparos domésticos básicos são fundamentais no ensino escolar (foto: Home Depot/Pinterest)

Pensei sobre o assunto e, por algum motivo, me lembrei da época em que fui visitar minha prima mais nova no Japão (20 anos atrás!) e ela tinha aula de “serviços domésticos”. O tema englobava não só aprender a lavar, passar e cozinhar (algo bem menos gourmet que “gastronomia”), mas também a executar reparos domésticos básicos. 

Como esse tipo de ensinamento seria de grande valia nesta época em que temos colocado a mão na massa para reparar e repaginar o nosso lar! Uma pesquisa da empresa de tecnologia Plusnet, realizada com 2.000 adultos no reino Unido apontou que a geração dos nascidos entre 1981 e 1996 não consegue realizar atividades simples como trocar lâmpadas ou consertar equipamentos sem recorrer a ferramentas de busca online. 

E os motivos são, nessa ordem: falta de confiança, de conhecimento de tempo, e, por isso, acontece a consequente contratação de alguma pessoa para fazer a tarefa. E a falta de aprendizado e de técnica também pode acabar  provocando frustração e o resultado, muitas vezes, termina em serviço mal feito ou deixado pela metade. E sou testemunha quando entro na casa de alguns clientes! 

Trocar chuveiros, entender uma planta baixa para averiguar colunas, vigas e passagem de tubulações hidráulicas e de gás por trás da parede, substituir sifões, resolver entupimentos, usar a furadeira e conhecer os tipos de ferramentas, aprender noções básicas de pintura… E por aí vai… Assunto é o que não falta para explorar e aprender nessa área. 

Como diz o ditado, santo de casa não faz milagre e, mesmo fazendo algumas tarefas, eu mesma fico na dependência do meu pai para executar outras coisinhas… Além de dar autonomia e gerar conhecimento, a instrução diminuiria o índice de acidentes e “tragédias” domésticas – e seria um bom método para conter a ansiedade e o stress. Importante ressaltar que essa matéria poderia estar não só na grade curricular dos pequenos, mas também em faculdades de arquitetura e design de interiores.