Nos dez anos em que moro em minha casa, realizei duas grandes reformas: a primeira para revitalização do imóvel – ele se encontrava completamente desgastado e cheio de problemas estruturais por ser muito antigo e ter sido alugado diversas vezes – e a segunda após a chegada do meu primeiro filho. Na época, apesar de gostar muito do assunto e ter certa intimidade com o processo, por pura curiosidade de ler sobre o tema, eu ainda não havia iniciado minha formação técnica em design de interiores e, portanto, contratei a assessoria de uma arquiteta recém-formada.  

(Anelisa Lopes escreve sempre às terças. Acompanhe alguns de seus projetos e referências no Instagram: @a81_design)

Qual a sua motivação para mudar seu espaço? (foto: arquivo pessoal)

O sentimento que tenho atualmente, no entanto, é que faria completamente diferente do que fiz dez e cinco anos atrás. E isso não diz respeito apenas ao fato de eu ter concluído minha formação, mas, sim, estar diretamente relacionado à minha motivação para ter reformado minha casa. 

Da primeira vez, foi para restaurá-la: trocar hidráulica, elétrica, piso, forro, enfim, pacote completo, para torná-la habitável e bonita. Cinco anos depois, muitos pontos tiveram de ser reavaliados com a chegada de um bebê e o principal deles era funcionalidade. Nenhuma destas questões foi resolvida por completo.   

E por qual motivo eu teria feito totalmente diferente? Porque minha motivação se fundamentou em um planejamento de curto prazo: recém-casada que viajava toda semana a trabalho e raramente passava um final de semana em casa. Situação atual: casada, mãe de duas crianças e que na maior parte do tempo faz home office. Se lá atrás a razão tivesse se baseado em funcionalidade acima de tudo, que é o que mais preciso hoje em dia, com certeza eu teria investido meu tempo e dinheiro de uma melhor forma. 

Antes de iniciar uma reforma, questione sua motivação. Você deseja uma mudança drástica e completa derrubando tudo ou só uma “carinha” nova com novas cores para o espaço? Ganhar área quebrando paredes ou setorizar ambientes apenas com móveis? Mais luz natural por meio de grande janelas ou privacidade para que o vizinho não faça parte da sua rotina? Reformular a circulação ou somente trocar o piso? Todas estas questões devem ser respondidas por você de uma forma muito clara para que o profissional contratado para fazer o projeto tenha uma visão a longo prazo e possa te entregar uma experiência que melhor se adeque ao fundamento da mudança que pretende realizar.