A vida é feita de ciclos. Entrada na faculdade, casamento, chegada do primeiro filho, do segundo, mudança de carreira profissional, separações, falecimentos… Cada um deles traz consigo uma bagagem de adaptações que, muitas vezes, tiramos de letra ou levamos algum tempo para administrar. 

(Anelisa Lopes escreve sempre às terças sempre às terças. Acompanhe alguns de seus projetos e referências no Instagram: @a81_design)

O design de interiores como agente transformador do espaço e da vida das pessoas (foto: arquivo pessoal)

E processos importantes de mudança sempre trazem consigo lembranças da etapa que foi superada. Elas podem ser ótimas ou estar carregadas de sentimentos que nem sempre podemos – ou queremos – gerenciar. 

Nos últimos meses, realizei alguns projetos que, de alguma forma, representaram um marco na vida de algumas famílias. Um deles, cuja cliente estava se separando do marido para morar só com a filha, me trouxe grande satisfação, pois, segundo ela, resgatei sua vontade de “voltar para casa” após o trabalho. 

O mesmo ambiente em uma nova leitura (foto: arquivo pessoal)

Outro projeto diz respeito a uma família cujo patriarca, muito querido, se foi. A mãe, ainda desolada com a partida, já não via mais sentido em viver no mesmo ambiente em que tantas memórias vinham à tona, mas, ao mesmo tempo, não queria se mudar. Neste caso, uma parte desta recordação se manteve por meio dos móveis restaurados. A outra partiu junto com os objetos que já não faziam mais sentido no local. 

O design de interiores não é apenas uma maneira de converter espaços, deixando-os agradáveis, bonitos e funcionais. É, sobretudo, uma forma de transformar a vida, abrindo portas para novas e surpreendentes possibilidades que estão por vir.