Esqueça a ideia de que móvel sob medida diz respeito à contratação de um marceneiro. Na semana passada, absorvi um pouco do universo que podemos chamar de mobiliário sob medida, algo que mescla a carpintaria artesanal e o processo produtivo na linha de montagem. 

(ANELISA LOPES ESCREVE ÀS TERÇAS. CONHEÇA SEU PERFIL NO INSTAGRAM: @anelisalopes)

Cabeceira da cama, poltrona, criado-mudo… Tudo pode ser configurado de acordo com o gosto do cliente (foto: divulgação)

Apesar de ainda ser referência no mercado de luxo – assim como acontece com a moda e os automóveis -, a escolha personalizada é uma tendência que tem se consolidado no mercado em razão da nova relação entre morador e morada estabelecida na pandemia e também pela proliferação de empreendimentos com menor área que preveem a integração de vários ambientes. 

O isolamento social redescobriu o papel da nossa casa e o tem transformado num espaço de longa permanência e vitrine para o mundo por meio das reuniões e aulas online, fazendo com que o cuidado e a escolha de como morar sejam repensados. Com isso, a valorização de áreas comuns, como a sala de estar e cozinha, pressupõe uma nova forma de configurar estes espaços. “O sofá foi o item mais procurado em nossas lojas e, nos últimos meses, o cliente está mais decidido em relação ao que ele e a família precisam e desejam”, aponta a gerente regional da Líder Interiores Ana Damous. 

Funcionalidade e rotina ditam as regras para configuração do mobiliário (foto: divulgação)

Se nos últimos meses, os clientes entenderam melhor a logística do dia a dia e as demandas familiares, a busca pelo mobiliário personalizado acaba sendo uma consequência para aqueles que podem investir um pouco a mais em um projeto. A precisão do industrializado e a exclusividade do móvel sob medida garantem vida longa também à funcionalidade do produto. “Muitas peças são cortadas e recebem acabamento no local da instalação para ter o caimento perfeito”, explica Esther Schattan, sócia-diretora da Ornare. 

O processo de personalização exige ouvir as necessidades, rotina e histórias dos moradores, desde como ele guarda as roupas até a frequência de viagens. Na Ornare, por exemplo, os funcionários têm passado por um treinamento para organização de armários, umas vez que muitos clientes têm “exposto” sua casa durante o home-office. 

A customização do mobiliário contempla uma infinidade de peças, materiais, cores, acabamentos e revestimentos oferecidos ao cliente. “Para se ter uma ideia, temos mais de 2.000 tecidos para escolha”, avalia Ana. Normalmente, este processo é realizado em conjunto com um arquiteto ou designer de interiores, mas também é possível fazer as seleções diretamente nas lojas que possuem este tipo de oferta. Segundo Esther, a elaboração pode levar de duas semanas a um ano, dependendo do nível de personalização e, claro, disponibilidade do comprador. “Se o desejo for uma cozinha da cor do vestido de noiva da moradora, conseguimos fazer”, brinca. 

Na maior parte das vezes, a peça que será customizada é assinada por designers consagrados, o que agrega valor e sofisticação. As empresas podem trabalhar também com fornecedores exclusivos ou ter a produção própria de vidros, estofamentos, serralheria, entre outros, o que facilita o processo e agilidade na produção do item, que pode levar de 35 a 60 dias úteis. 

Ainda é cedo para se falar em popularização do mobiliário sob medida, mas é uma tendência que veio para ficar. O mercado imobiliário aquecido e as diversas parcerias entre construtores, arquitetos/designers e empresas que customizam vão favorecer este cenário em que o aspiracional se torna real com a criação de um universo único para o cliente. Assim como nos outros mercados, o céu é o limite.