Cerca de pouco mais de um ano após o início do isolamento social provocado pela pandemia, tenho acompanhado algumas mudanças de comportamento nos meus clientes. Parta dessa transformação se deve ao fato, claro, do acesso restrito à mão de obra e/ou material de construção em determinados períodos, mas acredito que muitos estão adquirindo uma nova postura em relação à transformação dos ambientes da casa. 

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Colocar a mão na massa: quem não fez durante o isolamento? (foto: Pinterest)

Antes da pandemia, a principal demanda dos moradores era a necessidade de uma pessoa para acompanhar todo o processo de reforma ou repaginação; a grosso modo, da compra do parafuso até a instalação do quadro. A correria do dia a dia, a não-conexão com o seu espaço e, principalmente, a falta de tempo eram os motivadores para que alguém tomasse conta de todo o processo – e ele aparecesse só no grand finale. 

No último ano, continuo acompanhando os clientes, mas, dessa vez, o trabalho tem sido feito cada vez mais a quatro mãos. E, em alguns casos, são eles que têm botado a mão na massa – seja por querer fazer parte dessa transformação ou por contenção orçamentária. Presenciei advogados pintando o lavabo, médicas desmontando móveis, publicitários arrancando papel de parede… Todos, de uma forma ou de outra, conseguiram uma brecha na sua agenda para se dedicar ao que parecia tão difícil nos últimos anos: participar ativamente do processo de deixar a casa com a sua cara. 

Alguns números do mercado brasileiro podem comprovar essa direção. De acordo com dados do Pinterest, houve um aumento de 27% no termo “decoração DIY” quando comparados os meses de março de 2020 e o mesmo mês de 2021. Já a expressão “móveis DIY” teve um salto de 300% na mesma época no site de buscas. 

E, da minha parte, meu retrabalho diminuiu, uma vez que todos os detalhes são amplamente discutidos e digeridos, sem aquela correria e ansiedade do “preciso disso pronto até amanhã” e a surpresa desagradável do “não me lembrava de ter pedido desse jeito”. Como dizia o meu pai, ensinar a pescar dá menos trabalho que entregar o peixe pronto…