Recentemente, comecei a assistir uma série policial na internet gravada na Finlândia e, diferentemente do que imaginava, ao observar atentamente os interiores das residências, percebi que não se limitam a lareiras e carpetes em razão das baixíssimas temperaturas que fazem no país. A partir daí, fui buscar um pouco a respeito do estilo escandinavo – confesso que nunca fiz um projeto de interiores baseado em tal referência, apesar de ele já ser bem difundido por aqui. 

(Anelisa Lopes escreve sempre às terças. Acompanhe alguns de seus projetos e referências no Instagram: @a81_design)

Materiais nobres, porém simples, são amplamente usados no estilo escandinavo (foto: Pixabay)

A Finlândia – junto da Islândia, Dinamarca, Suécia, Noruega e Ilhas Faroe – passaram a destacar uma arquitetura/design próprios a partir do início do século XX, com valorização nos anos 50 e 60. Por isso, quase não possuem influência das escolas do restante da Europa, principalmente italianas e francesas. E o principal motivo se deve justamente às condições climáticas e da valorização dos poucos recursos naturais existentes nestes locais. 

A sustentabilidade faz parte do estilo de vida do escandinavo. O preservar e conservar está presente nos materiais usados e no essencialismo: não há exageros nem desperdícios. Os materiais utilizados nas construções e no mobiliário são nobres, porém simples: madeira e pedra, sempre de origem local. Peles, couro e lã, também estão muito presentes. 

Sustentabilidade é uma das principais características do estilo escandinavo (foto: arquivo pessoal)

Apesar deste minimalismo, os interiores escandinavos transbordam aconchego e passam a sensação de serem ninhos prontos para receber a família e os amigos regados a taças de vinho. Não há rigidez, apesar do mobiliário predominantemente de linhas retas, nem passam impressão de vazio.  

Outro destaque é o uso recorrente de enormes painéis de vidro para absorver a luminosidade natural temporária e, para aumentar esta sensação de claridade, os escandinavos recorrem a cores neutras, principalmente branco, tons de bege e cinza. Ao contrário do que se possa pensar, não há muito uso de cores quentes, já que a presença constante de tonalidades fortes acabam provocando cansaço visual. Elas são usadas, sobretudo, em objetos e elementos móveis como mais uma prova de uma forma despretensiosa de levar a vida.