Transformar o ambiente não significa necessariamente se livrar daquilo que está no local e comprar tudo novo. Claro que é uma delícia renovar móveis e acessórios, mas aproveitar o que há de bom, além de ser econômico, pode imprimir personalidade ao espaço.  

(Anelisa Lopes escreve sempre às terças sempre às terças. Acompanhe alguns de seus projetos e referências no Instagram: @a81_design)

Taco de madeira dá personalidade ao projeto (foto: arquivo pessoal)

Quando tenho o primeiro bate-papo com o cliente, tento mensurar, dentro do orçamento proposto, o que vale a pena manter. E, cada vez mais, as pessoas têm criado o hábito de desprezar itens que podem virar o grande protagonista do projeto por achar que está antiquado ou mal-conservado. 

Um exemplo é piso de taco de peroba. Muito popular entre os anos de 1940 e 1980 em razão da abundância da árvore na época do ciclo do café, ele se popularizou nas residências. Além da questão estética, a madeira também é muito resistente não só ao tempo como aos cupins. A grande exploração da matéria-prima e, consequentemente, sua escassez, somada à oferta de produtos industrializados, fez com que o taco caísse em desuso. 

Muitos apartamentos construídos neste período ainda contam com o piso original que, na minha opinião, deve ser tratado e mantido. Além de ser visualmente atraente e neutro para combinar com outras texturas – que vai de ladrilho hidráulico a cimento queimado -, será, cade vez mais, uma raridade nas casas. 

Móveis de madeira maciça também são comumente dispensados. Muitas vezes, a aparência escura e os entalhes na superfície brecam a criatividade no momento de decorar. Manter os móveis de família é uma forma de preservar a herança para uns, mas, para a maioria, o destino certo é a venda ou doação. 

Neste caso, um bom restaurador ou uma ideia que traga contemporaneidade ao objeto é uma boa pedida. Incrementar com cores, acrílico ou vidro é uma maneira de deixá-lo atraente e tornar o item único, com muitos anos de vida pela frente!