Atire a primeira pedra quem já passou por uma reforma e comprou a quantidade errada de revestimento para chão e parede – ou teve de se desfazer de caixas e caixas porque sobrou. 

E aí começa aquele corre corre atrás das peças, atraso da obra e o cenário de stress está montado.

(ANELISA LOPES ESCREVE ÀS TERÇAS. PERFIL NO INSTAGRAM: @anelisalopes)

Medir somente a área do local que receberá o piso não é o suficiente para comprar quantidade adequada (foto: arquivo pessoal)

Antes de mostrar o cálculo aproximado para a compra de revestimento, é preciso ter em mente alguns pontos. Essas peças são vendidas por lote, então, é sempre bom questionar a respeito do estoque, principalmente se for importado. Segundo ponto é que os lotes possuem variação entre si. Em alguns casos, é imperceptível, em outros, a diferença pode estar na altura e no alinhamento das peças, o que acaba interferindo no resultado final e na quantidade de rejunte utilizado.

Por isso, sempre considere uma porcentagem de sobra para comprar piso e revestimento de parede. “Ahhh, mas não tenho onde guardar depois”. Garanto que armazenar uma caixa será o menor dos seus problemas. Além disso, você terá uma peça do mesmo lote caso tenha de fazer alguma substituição posteriormente.

Vamos às compras, ou melhor, contas, então. O cálculo básico se baseia em multiplicar o pé direito (chão ao teto) pela largura da parede ou largura x comprimento do chão. E por que muitas vezes não dá certo? Porque depende do modelo e tipo de paginação escolhida: alinhada, vertical, horizontal, diagonal, espinha de peixe (45 graus em relação à parede), escama de peixe (90 graus em relação à parede) ou mesclada.

Para o cálculo correto do piso, considere variantes como modelo e paginação. Parte de trás ou de baixo de marcenaria planejada pode receber material mais em conta (foto: arquivo pessoal)

Considere a compra por caixas (cada uma delas traz a metragem que cobre) e sempre arredonde para cima. Não se esqueça das colunas, vigas, nichos, soleiras/baguetes, frontões e rodapés caso vá usar o mesmo revestimento. Faça um desenho com o esquema, medidas e detalhes do local e coloque cada medida em seu devido lugar. Se for mais de uma opção, use uma cor diferente de caneta para ilustrar as legendas. 

Nos últimos anos, os modelos com formatos menores que 60×60 cm estão em desuso e cada vez mais raros nas lojas. Mas, se for este o caso, calcule 15% de perda em áreas de até 10 m2 e de 10% acima de 10 m2. Os modelos maiores que 60×60 cm devem ser contados por unidade e não por metragem – compre entre 5 e 7% mais. Neste caso, se houver um recorte maior que a metade da peça, considere a unidade inteira. 

As paginações que fogem do tradicional são as que mais “desperdiçam” material, pois o recorte de peças é superior. Neste caso, considere um volume de 15 a 20% maior. Para os famosos revestimentos tipo azulejo de metrô ou pequenos formatos conte 10% a mais na conta final. 

Exemplo prático com uma parede de 1.51 m de largura x 2.30 m de pé direito: 3.47 m2 de área. Considerando uma sobra de 15% = 3.47 + 15% resulta em 3.99 m2. A caixa do produto traz uma cobertura de 0.75 m2. Divida 3.99 por 0.75. Resultado: 5.32 caixas arredondadas para cima, ou seja, 6 caixas. Neste caso, não estou considerando nichos, soleiras ou rodapés. 

Por último, mais duas dicas: a parte “escondida” onde ficará a marcenaria planejada pode receber um material mais em conta ou ser impermeabilizada caso seja uma parte que não terá contato com água. E sempre recomende a mão de obra a usar um disco novo para cortar filetes mais finos.