A chegada de um bebê, mesmo quando planejada, muda toda a dinâmica de uma casa. Um ambiente terá de se adequar ao novo integrante do lar e, se for uma residência em que há dois aposentos, o local provavelmente já está sendo usado como quarto de hóspede, escritório ou depósito. E como acomodar tanta coisa para um ser tão pequeno sem abrir mão da funcionalidade do lugar? Esta é uma missão que parece impossível, mas é muito prazerosa de ser feita.

(Anelisa Lopes escreve sempre às terças. Acompanhe alguns de seus projetos e referências no Instagram: @a81_design)

Móveis usados em outros ambientes podem ir para o quarto do bebê sem problemas (foto: arquivo pessoal)

Caso o local para receber o bebê já tenha sido definido, o ideal é começar seu projeto, dependendo do grau de detalhamento, aos quatro, cinco meses de gestação, quando, normalmente, a mãe volta a ter mais disposição. Hoje em dia, o sexo da criança já não é mais um fator  determinante. É possível optar por cores e temas neutros sem cair no tradicional rosa/lilás para meninas e azul para meninos.

Definir o tema ou a composição de cores e texturas recai numa infinidade de possibilidades, mas, como designer de interiores e mãe de um casal de filhos, sempre tive em mente a utilização do quarto a longo prazo, ou seja, para que eles possam usá-los até aproximadamente dez anos de idade, época em que a responsabilidade com estudos passa a se tornar tão importante quanto a rotina lúdica.

Em primeiro lugar, faça um check list para a instalação elétrica do ambiente: quanto mais tomadas, melhor. Lembre-se que todo um aparato está por vir: abajures, babás eletrônicas, aparelhos de inalação, umidificadores, aquecedores etc. Mesmo que isso signifique quebrar a parede para puxar pontos de luz, faça antes de o bebê chegar, pois não há nada mais incômodo que não ter uma tomada a mão com o bebê no colo, acredite. Sistema de dimerização, aquele que regula a intensidade da luz, também pode ser bem útil.

Funcionalidade deve ser tão importante quanto estética no quarto do bebê (foto: arquivo pessoal)

Depois de estipuladas as tomadas, é hora de pensar nos móveis. Além do guarda-roupa, do berço e de uma cama auxiliar, se a área comportar, a mãe precisará de um trocador e de uma cadeira de amamentação? O banho será dado no quarto ou a banheira ficará no box? Eu não sou adepta de conjuntos de móveis prontos para quartos de bebês, pois eles acabam com a individualidade do pequeno ser que habitará o aposento, além de parecerem antiquados após um ano de uso.

Um berço antigo que estava na família há décadas, um armário feito sob medida, uma poltrona já existente no quarto de hóspedes com uma mesinha auxiliar e uma cômoda com desenho pra lá de diferente foram os pontos de partida para compor o quarto do meu primeiro filho. Com exceção do berço, nada ali foi projetado originalmente para pertencer ao quarto de um bebê, mas, com as dimensões adequadas, tudo funcionou perfeitamente.

Escolher a cor do quarto e o papel de parede também são itens importantes. Lembre-se de que além de terem de ser harmônicas em relação aos móveis, nos primeiros meses de vida, você estará ali dia e noite olhando para as paredes enquanto amamenta. Não polua o local com muitos objetos: é importante que o quarto esteja sempre limpo,  arejado e com boa circulação para transitar. Evite enxoval desnecessário, pois pode ser perigoso caso uma manta ou almofada se enrosque ou fique sobre o bebê.

Para não se atrapalhar durante o projeto, faça um cronograma: elétrica, escolha dos móveis, cor e textura das paredes, chegada do mobiliário e definição enxoval. Dessa forma, as tarefas serão diluídas ao longo da gestação e os pais poderão curtir este cantinho com calma antes de o bebê chegar.