Entre 2005 e 2015, realizei tantas viagens a trabalho que cheguei ao ponto de não desfazer as malas entre um destino e outro. Foi nessa época que meu interesse por design de interiores cresceu devido aos inúmeros tipos de hospedagens que vivenciei, que variou de cabana de praia a locais super luxuosos. Assim, comecei a observar com mais atenção os ambientes nos quais me hospedava para não reservar nenhuma furada quando fosse fazer viagens pessoais.

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Decoração pode definir como será sua experiência em um hotel (foto: Pinterest/CondeNasteTraveler)

Por meio do projeto arquitetônico e da sua decoração, o hotel mostra não só se condiz com sua classificação e preço sugerido como também como será sua experiência como hóspede: sonho ou pesadelo. E, em alguns casos, vale mais que a localização ou cardápio. Nesses dez anos, criei uma forma de analisar o design de interiores para escolher o melhor local para mim e, nos últimos anos, também para as crianças. E posso confirmar que o índice de acerto é de praticamente 100% e que nem sempre o mais caro é o melhor e vice-versa. O que levar em conta? Espaço e personalidade – sobre limpeza: o ideal é ler os comentários de quem já esteve no lugar. 

Em primeiro lugar, quando buscamos um local para nos hospedar, se o hotel não for conhecido, somos comprados visualmente. Assim como você precisa de boas fotos para vender sua casa, boas fotos do estabelecimento são o primeiro passo para uma escolha de sucesso. E não fique restrito aos sites de busca; entre no site do hotel também. Quando as fotos são ruins, nem continuo a pesquisa. 

Tanto no quarto como no banheiro, analiso três características: tipo de piso e de revestimento, escolha do enxoval e objetos de decoração. Depois desses elementos, dou uma olhada geral nas áreas comuns do hotel ou pousada. Normalmente, esses dois ambientes conversam entre si e possuem a mesma linha de design. 

Piso frio e revestimento branco tipo hospital perdem pontos: não trazem aconchego, deixam o quarto gelado, podem ser escorregadios e parecem a solução mais óbvia para a contenção de gastos. Exceção à regra: cimento queimado, principalmente nos hotéis e pousadas de praia, pois funcionam por conta da limpeza e dão um visual despojado. Piso laminado ou de madeira me transmitem comodidade.

Não menos importante, a escolha da roupa de cama e das toalhas – e a forma como são arrumados e distribuídos – mostram não só preocupação com o bem-estar do hóspede como também o treinamento dado à equipe de limpeza para deixar o quarto convidativo. Cobertor de pêlo e toalha fina/pequena vão na contra mão da boa hospedagem. 

Elementos de decoração podem denunciar a periodicidade com que o estabelecimento é cuidado: quadros que parecem ter sido pintados pela tia, cabeceiras dos anos 1990, televisão de tubo, flores de plástico, café da manhã coberto por mosquiteiros… Muitas vezes, essas tentativas de deixar o ambiente como “cara de casa” acabam empobrecendo o local. 

Personalidade e conforto são traduzidos por pormenores: um lustre diferente no quarto, tolhas enroladas sobre as cadeiras da piscina, uma pintura inusitada nas paredes dos corredores, almofadas bem arrumadas sobre a cama ou um toque de artesanato local na recepção são alguns detalhes que podem te levar a uma bela experiência de hospedagem.