Durante muitos anos, afastei toda e qualquer possibilidade de usar dourado. Seja em roupas, acessórios e objetos de decoração. Sempre dei preferência para o prata fosco, pois achava que o dourado tinha conexão com o exagero. 

(Anelisa Lopes escreve sempre às terças. Acompanhe alguns de seus projetos e referências no Instagram: @anelisalopes)

Rever os gostos faz parte do autoconhecimento (foto: Target/Pinterest)

Quando comecei a estudar design de interiores, no entanto, tínhamos como missão em vários exercícios usar formas, texturas e cores que não nos agradavam. E, obviamente, recorria sempre ao dourado, mas fosco, para idealizar os projetos. E não é que acabei me rendendo a ele? 

Cheguei à conclusão de que não gostava de dourado por questões da minha  criação (Freud explica!) e evitava a todo custo retomar essas memórias. Assunto resolvido e gosto atualizado: grande parte das minhas referências hoje contam com algum detalhe em dourado fosco. 

Você já parou para pensar nas suas preferências – e, por que não, na falta delas – para se vestir ou decorar? Não vale justificar simplesmente com o “não gosto”. No meu caso, a cisma com o dourado passou por eu ter de usá-lo como forma de estudo, ou seja, tive de enfrentar essa aversão.

Isso já faz um tempo, mas retomei esse exercício na quarentena. E não só na decoração, mas em todo o meu dia. Uma cor que antigamente representava excesso para mim, hoje me transmite confiança e poder. Existe melhor forma de exercitar o autoconhecimento?