Está aí uma frase que poderia terminar com dois tipos de ponto. Mas, na verdade, muita gente tem dificuldade em reconhecer quando ela vem como pergunta. Assim: você precisa de ajuda?

 

Fácil mesmo é transformá-la em afirmação e dizer que alguém precisa, sem reconhecer que, talvez, esse alguém seja você mesmo. É, você aí.

 

Dificilmente as pessoas admitem que têm preconceito. Às vezes, nem sabem que a questão passa por aí. Consigo encher uma mão de amigas e parentes que acham que vão dar conta de superar as dificuldades sozinhos. E conheço, por exemplo, vários pais de crianças e adolescentes que se preocupam em cuidar das dificuldades dos filhos, mas não conseguem olhar pra si.

 

Sabe aquele pai ou mãe super atento, preocupado, que corre pra achar uma indicação de psicólogo ou psicoterapeuta pra criança, mas nunca pensou em encarar um profissional sozinho? Pois então, o mundo tá cheio.

 

É mais fácil achar que o problema tá no outro. Outras vezes, mesmo quando a gente não tem resistência nenhuma em buscar ajuda, como eu, a gente acha que o problema está no filho. Aconteceu comigo.

 

Nunca vou me esquecer da época em que o meu mais velho tinha dois anos e mordia na escola. Eu quase morria, toda vez que vinha um relato. E a vergonha das mães das outras crianças? Meu jeito comprometido e dedicado nunca me permitiu achar que era só uma fase. Fui correndo buscar indicações de psicóloga para atendê-lo. Mas quando fomos nas primeiras consultas, sem ele, descobrimos que éramos nós que precisávamos mudar. Antes dele.

 

Foi através da nossa mudança, da forma como a gente aprendeu a se posicionar e do jeito que encontramos para encaminhar as cobranças, que o nosso filho começou a se transformar. Acredite se quiser, o menino parou de morder em menos de dois meses. “Nunca nos 40 anos da escola tivemos uma resposta tão rápida”, ouvi da coordenadora na época.

 

Como tudo na vida, pra mudança virar transformação, leva tempo. Os anos se passaram e eu continuo lá, no divã, construindo um caminho que ultrapassa em muito o meu papel de mãe. Afinal, a gente nunca é só uma coisa.

 

Aproveitando palavras da minha psicanalista, que eu amo, o trabalho em análise é como puxar um novelo. Você começa e puxa o primeiro fio, mas nunca sabe quantas voltas vai dar.

 

Pra quem gosta de jogar luz na poeira ou na escuridão. Pra quem busca saídas ou quer mudar. Pra quem precisa sofrer menos, sempre será um caminho. Mas só os fortes resistem.

 

*Hoje tem vídeo, para ajudar a derrubar resistências e preconceito. Porque buscar ajuda profissional nunca foi e nunca será sinal de fraqueza.

 

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