Quem já sentiu vontade de deixar de fazer aquilo que mais te deu prazer?

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Longe de mim me comparar com a estrela da ginástica artística mundial. (Quem é da psicanálise sabe que, só de dizer isso, de alguma forma, já estou me comparando). Talvez fosse mais adequado reconhecer que, ao decidir deixar de competir, é ela quem demonstra ter um tanto de nós, mortais.

 

Como todo o mundo, fiquei impressionada com a decisão da atleta. Afinal, a gente idealiza que quem chega a uma posição como a dela está realizado, feliz da vida e que já superou os maiores desafios. A americana é tão única que ganhou até um emoji próprio no Twitter. Li esses dias que toda vez que alguém digita a hashtag com o nome Simone Biles, aparece um bode, ‘goat’, em inglês. GOAT porque as letras da palavra são as iniciais para o que ela representa: Greatest Of All Times. 

 

Já pensou ser considerada a melhor de todos os tempos no que faz? 

Deve ser uma delícia. (Olha eu, idealizando de novo). Mas o exemplo dela é a prova de que há muitos desafios e que cada história é única, não tem receita. Pra algumas pessoas, pode se tornar tão difícil quanto bom.

 

Não sei se consigo imaginar a pressão que é acreditar que precisa atender às expectativas de ser infalível aos olhos do mundo, num esporte que parece ser o mais desafiador e o que exige mais sacrifícios e abnegações de todas as modalidades. Ainda assim, guardadas as proporções de um pulo para um duplo twist carpado, uma coisa é certa: também não é fácil dar conta de ser quem somos e de sustentar o que somos em alguns momentos da vida.

Quem já sentiu vontade de deixar de fazer aquilo que mais te deu prazer? Ou algo que faz parte da sua constituição?

 

Eu conheço o sentimento de querer ter escolhido outra coisa, um outro caminho. Não foi um sentimento que me pegou num momento tão importante, como uma Olimpíada, é verdade. Mas já aconteceu em situações de crise. Constato, então, que as pressões e as razões são diferentes, mas elas existem. Para quem é GOAT e pra todos nós.

Aí, quando a cabeça e o coração estão pressionados, tem horas que dá vontade de fazer o que a Simone Biles fez: Desistir. 

Só um pouquinho. 

Só até aliviar a pressão. 

Só até refletir se é isso mesmo pra, depois, ser capaz de seguir.

Nem sempre é possível. Nem sempre a gente acha que é possível. Ela fez ser possível na Olimpíada. 

Afinal, se o corpo não respeita o limite da mente, depois, adoece. 

 

Biles é Biles mas o nosso desafio é o mesmo dela em Tóquio: buscar saídas únicas pra superar a limitação e reencontrar o desejo que nos faz fazer o que fazemos. Ou pra descobrir que o desejo mudou e ser capaz de buscar outro caminho. Com apoio psicológico profissional é menos sofrido e a gente consegue sacudir a poeira pra seguir em frente, todo dia, em busca daquilo que alegra o nosso coração e que ainda quer conquistar.

Sigo perseverante e, de uns anos para cá, com muita fé em Deus.

 

*Vem pro @eupriscilladepaula, que já foi @maesemreceita no Instagram. Vem, gente!