vem um grupo de famílias todo uniformizado e, provavelmente, lançando moda no futebol. #TeamJohnny, #TeamTheo, #TeamWilliam estampados nas camisetas, pra ninguém ter dúvida de quem são os “astros”.

 

Também não falta estilo entre a criançada: rabinho no topo da cabeça, raspado com listras ou liso e comprido, preso com tiara. Bem no estilo Felipe Luís, lateral da seleção. Aliás, esse é sonho de quase todos os meninos que jogam futebol: chegar à seleção. Se depender da torcida, teremos um alto índice de reposição de talentos no futuro. Aliás, parece até que tá todo mundo investindo, desde cedo, pro filho se transformar num futuro Neymar. 

 

O juiz apita. Começa o jogo. Uma partida de fortes emoções.

Pai 1: Vai William! Pressiona.

Bola pra lá, bola pra cá.

Mãe 1: Boa! Boaaaaa Matheus!

Chute pro gol. Mas a bola não entra.

Torcida: Ahhhh!

Mãe do goleiro: Boa Duduuuuu!!!

Goleiro cata, lança longe e a bola rola. Passa pra um, passa pro outro, avança. Tem drible. E passe bonito.

Mãe 2: Chuta, Johnny.

Pai 2: Ô juiz! Falta! Falta juizzzz.

Mas o juiz não marca.

Pai 3: Ô, juiz. Abre o olho!

Gente do céu! Já tem isso nessa idade? São todos nascidos em 2009.

Pai 4: Desce, desce…Desce, Guilherme!

Mãe 2: Não desiste. Não desiste, Arthur!

 

Mais um lance, perto do gol. Ui! Quase! O contra ataque é rápido. Lá vão os pequenos, a todo pulmão. Ignorando o ar poluído e seco acima da média, no outono de São Paulo. Como é que chega aos 15 anos correndo nessa poluição, não sei. 

 

Mãe 3: Vai, vaaaai!

Pai 4: Chuuuuuuta Gustavo!

Mãe 4: Tira daí! Tira daí! Tira daí, Théo!

De repente: “Goooooolllllllll”. Quando é do meu filho, meu grito ecoa, igual ao de narrador.

A torcida respira e grita: “Barça, Barçaaaa! Barça, Barçaaaa!”

 

O tempo passa e já chegamos aos 4 x 0, entre as seleções sub 9 da Portuguesa e da escolinha do Barcelona.

Pai 5: Vamos, gente. Reage!

Pai 6: Marca o 10, marca o 10!

Pai 7: Vai, Ronaldo!

Ronaldo? Será que os pais quiseram predestinar o menino? 

Mãe 6: Fica esperto. Ele vai tomar a bola aí!

Pai 8: Segura a marcação, não deixa.

Pai 9, meu marido: Vai, Rafael! 

Eu: Vai, como? A bola tá longe do menino.

 

Pais. Esses seres, que sempre sabem o que os filhos têm de fazer em campo.

 

O placar chega a 5×0. E eu deixo escapar um: “Ai, gente. Tadinhos. Se o time adversário fizer só um golzinho, tudo bem. Afinal, são crianças!” Imediatamente, recebo um olhar fulminante de uma amiga mãe, torcedora inveterada. Moral da história: os jogadores são crianças, mas o negócio é sério. Se bobear, já tá quase todo mundo planejando em ver o filho na United2026. Afinal, com 17 já pode ir pro Mundial?

 

Sonho é sonho. E se tem uma coisa que eu quero poder viver é ver meus filhos realizando os deles. Seja eles quais forem. Rafael quer chegar no profissional. Mas, nessa fase da vida, futebol tem de ser mais brincadeira. Tem muitos especialistas que concordam.

 

Aqui em casa, a gente incentiva, dá corda, valoriza o esforço, leva para todos os jogos, vibra com cada vitória e troféu. Se brilhar, é elogiado, claro. Mas, ganhando ou perdendo, a gente tem convicção de que, na infância, o importante é se divertir.

 

Gabriel Jesus, Neymar e tantos outros que começaram meninos, ainda hoje se divertem no trabalho. Mas essa sorte é pra poucos. Pra quem não teve esse privilégio, temos Copa. Na beirada do campo ou na tela da TV, dá para curtir. E se for como nos nossos sonhos, a taça será nossa.

 

* O video de hoje é uma conversa descontraída entre três gerações sobre o sonho no futebol. Os dois da ponta – um técnico e um jogador do sub9 – sempre foram apaixonados pelo esporte.

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