Imagine aquela cena: você no trânsito da porta da escola, já de noite, e vê uma mãe amiga atravessando a rua na sua frente com os três pequenos dela. Você acena, faz sinal pra demonstrar o quanto gosta dela, e ouve: “Viu o que aconteceu hoje, né?!”

“Ãhhh?!?”, respondo sem entender nada.
“É, se pegaram!”, ela continua andando, enquanto aponta pro filho mais velho dela e pro meu. Ambos de 7 anos.
Meu Deus, pensei. Vai brigar justo com o amigo, filho dessa mãe tão querida?! Que mãe ou pai nunca passou por isso? Eu mesma já enfrentei várias saias justas.
Bom, a volta pra casa, que seria tranquila, virou momento de D.R… Dureza!
Meu filho que não é santo, mas também não é vilão, me conta a versão dele. Pra resumir: se desentenderam com tintas na aula de artes, saíram correndo feito malucos pelos corredores e foram parar na sala, sem poder terminar a atividade.
Ouço a história, como sempre, fazendo perguntas pra me convencer de que de fato as coisas aconteceram como ele me diz. Afinal, mãe não pode ser tão parcial.
Preocupada com esses desentendimentos e com o resultado disso no colégio, pergunto se ele pôde se explicar pra professora. “Não, ela não quis me ouvir!”
Nessa hora, você se esforça pra não ficar doida. “Como não quis te ouvir?!”
Mas sou ponderada e também sempre me coloco no lugar do outro. Quantas vezes eu mesma não quis ouví-lo, diante de uma situação estressante em que ele provocou um problema?!
Em seguida, o ouvi dizer que “tem horas que dá uma raiva danada” porque o amigo o “provoca muito”.
Pensei, pensei… E tive um insight, aproveitando que meu filho ama esporte e já é um pequeno esportista:
“Filho, é como no futebol! Não dá pra reagir às provocações. Olhe o Neymar… Já pensou no que ele passa em campo? Até costela quebrada teve. Imagine as coisas que ele ouve e que os outros fazem pra deixá-lo enlouquecido? O que acontece se ele reage?” (Na hora, lembrei da cabeçada do Zidane, na Copa da Alemanha. Mas Rafael nem era nascido, então, deixei pra lá.)
Ele responde: “Se reage, vai expulso!”
“Pois então, meu filho, a motivação nem conta. É a reação que determina! Suarez na Copa do Brasil perdeu a cabeça e mordeu. O que aconteceu?”
“Foi expulso”, ele lembrou.
“É, expulso da Copa e ainda levou uma punição de meses sem jogar!”
Pra terminar, eu disse: “Você vai precisar ser inteligente! Saber o que fazer pra não perder a cabeça na escola. Pra não ser punido e pra que as pessoas te ouçam e entendam a sua versão.”
Como mãe, não quero que ele se meta em confusão, claro, mas também não quero ter um filho oprimido, que não é ouvido.
Rafael escutou o tempo todo, como se estivesse colocando sentido nas coisas. E eu fiquei com aquela sensação de que marquei um gol!
Acho que consegui passar a mensagem da melhor forma e fiz meu filho entender ali a importância de saber reagir. Em qualquer situação. Na vida.
E não é que o ídolo Neymar também pode servir pra isso?!