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Se tem uma coisa que me pegou de jeito no isolamento social foi a saudade.

Saudade da casa antiga?

Tenho.

Saudade das amigas…

Ah, quanta saudade!

 

Saudade até da antiga rotina. Ou de parte dela.

Saudade do clube.

Saudade de pegar as crianças na antiga escola e encontrar com as mães que se tornaram um pouco ou muito amigas.

Saudade do bairro onde vivi 15 anos.

Tenho saudade de muita coisa.

Mas, sabe-se lá porque, ando com mais saudade das coisas da juventude.

 

Saudade de BH, de parar no Néctar da Serra pra tomar suco e comer um lanche natural, saudade das comemorações das Copas na Avenida Afonso Pena. Saudade enorme dos shows de música no Expresso Canadá, que era longe da cidade.

Mas a saudade é maior de ouvir as músicas e ver shows do Skank no começo da banda. E do Jota Quest. É só tocar na rádio que as vozes do Samuel Rosa e do Rogério Flausino me transportam pelo tempo. Nessa pandemia, meu coração até aperta.

 

Também tenho saudade ouvindo as músicas do Pet Shop Boys e do Erasure que tocavam nas festinhas de adolescência no começo da década de 90.

Já deu saudade até do Carnabelô.

E a saudade dos verões lá em Morro de Saudade… ops, Morro de São Paulo?! Como era bom quando chegava janeiro e eu saia de Minas para me encontrar com a minha grande amiga baiana. Vira e mexe passa um filminho na minha cabeça do quanto eram gostosas as festas na 2a praia, ouvindo Jorge Ben Jorge.

 

Tenho saudades do Pitágoras, minha escola dos 5 aos 14 anos. Muita saudade, aliás.

Morro de saudade dos festivais de dança montados pela minha mãe, que era a professora de educação física. Outro dia me vi enlouquecidamente eufórica dentro do carro dançando uma música Disco que, justo agora, não me lembro o nome. Mas foi como se estivesse matando a saudade.

Saudade de tudo que vivi e que foi bom.

Do intercâmbio nos Estados Unidos, de passear em Brugges, do pain au chocolat da cidade onde morei na Bélgica, de todos os passeios por lugares lindos quando o mundo não sabia o que era uma pandemia dessa magnitude.

 

Saudade do começo do namoro com meu marido, 18 anos atrás. Eu era tão novinha…

Saudade de ouvir Tribalistas com ele na Serra do Cipó.

Saudade dos meus filhos bem pequenininhos. E daquele cheirinho inebriante que só os nossos filhos têm. Ô saudade!

 

Sempre tive saudade das coisas boas, é verdade. A diferença é que não me lembro de uma vez na vida, antes do isolamento social, em que a saudade tenha me pegado assim de jeito. Parece que todo dia sinto saudade. De respirar sem máscara, sinto é o tempo todo.

 

Mas o curioso é que os pensamentos mais saudosos que me invadem são os da juventude. Mais até dos que os da infância, que foi valiosíssima, graças a Deus. Outro dia me vi chorando de saudade dentro do carro quando, de repente, tocou na rádio uma música da época em que eu era menina, em BH.

Chorar de saudade com música. Quem mais?

Põe saudade nisso!

É também saudade da vida que um dia foi, do melhor dos bons tempos que vivemos, tão diferentes de hoje.

Como disse uma grande amiga dia desses, “saudade é mato”.

Na pandemia, então, entra dia, sai dia… só cresce!

 

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