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É curioso como uma surpresa na vida pode te tirar da rota. Ainda mais num momento em que você está buscando saídas diante das pedras no caminho. Ou, talvez, seja oportuno dizer “diante dos caminhos que escolheu”. É, porque tem pedras que aparecem de repente, outras sempre estiveram lá. Talvez você não tenha dado a importância real pro obstáculo e achasse, no começo, que era só um pedregulho. Mas, se olhar com cuidado, você descobre que tem coisas que sempre existiram. Você é que relevou ou não foi capaz de enxergar direito. Idealizou.

Não é fácil, mas o trabalho em análise me fez entender que, mesmo quando você faz escolhas idealizadas – sem enxergar as limitações ou dificuldades que podem (ou vão) virar um problema depois – ao tomar decisões, você escolhe. Há anos me deparei com o que a minha analista chamou de desidealização. Desidealizar foi compulsório e fez com que eu passasse a enxergar com clareza limitações ou dificuldades que não me incomodavam tanto quando fiz as escolhas mas que, com o tempo, se tornaram insuportáveis.

Trabalhando no divã, entendi a minha responsabilidade e aprendi a tomar decisões enxergando melhor as coisas e considerando os riscos. Faz toda a diferença quando a gente não é atropelado pelo inconsciente. Associado à isso, com o tempo, a gente amadurece. No meu caso, também escolhi tomar decisões considerando o chamado “direcionamento de Deus”. Coincidência, providência ou fruto de um desejo real, muitas escolhas que fiz em análise me colocaram na mesma direção da fé.

Pois bem, estava fuçando há pouco no bloco de notas, onde há anos faço anotações de reflexões e ideias sobre as quais gostaria de escrever, pra buscar um assunto. De uns tempos pra cá, tenho ficado muito sem ter o que dizer e sem fazer anotações, justamente, por causa das escolhas que fiz. Aí, fuçando, me deparei com uma nota registrada logo depois de uma sessão de análise no comecinho deste ano. Eram rabiscos digitais sobre algo que é bem pequeno diante dos males do mundo, mas me ocupa: o esforço para encontrar uma saída criativa, sem receita, pra minha escrita, tão cara pra mim. Tem sido um esforço, quase sempre frustrante. Só que nessa tal sessão, eu tinha enxergado uma saída que abriu meu peito, me deixou leve e super otimista. Sabe aquela sensação de quando você, finalmente, parece encontrar a solução para um problema que te ocupa? Pois.

Só que aí, quando parecia que eu ia avançar, bem no meio do caminho, veio um golpe que nos atropelou, impôs um desafio novo e me tirou completamente daquela rota. Uma pedra das grandes. No meio do caminho. Provação pra minha fé.

Buscar uma saída criativa pra fazer a escrita ter sentido ainda é algo que desejo, junto com outras questões que me ocupavam, mas todas elas perderam espaço e importância neste momento. Pode ser que quando esse novo desafio for superado (Deus vai prover, não me permito deixar de acreditar, porque já conheço a fidelidade dEle), a preocupação antiga volte a ganhar espaço. Ou não, vai saber…

O fato é: quando você tem uma batalha muito importante na vida que os seus próprios braços não são capazes de resolver e que toma a sua energia, seus esforços e vira o foco das suas petições pra Deus, todo o resto fica pequeno. Seja ela qual for.

É ou não é?

 

*Vem pro @eupriscilladepaula, que já foi @maesemreceita no Instagram. Vem, gente!