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Lá estou eu no táxi, saindo do primeiro dia de um novo momento profissional na minha vida. Um tempo de resgate, de retomada, de grandes expectativas e, sobretudo, de fé, depois de muita batalha e de medo. A tempestade ficou pra trás.

 

De repente, o motorista vira pra mim e pergunta:

– Quer uma balinha pra adoçar a vida!?

– Já está doce, respondi sem pestanejar.

Ele riu, surpreso.

 

País em crise, desemprego alto, trânsito ferrado na hora do rush, dólar subindo, eleições indefinidas, Bolsonaro no páreo… E vem alguém dizer que a vida tá doce? Só pode estar maluca, o taxista pode ter pensado.

 

Digamos, então, que doce, doce, doce não está.

 

Também, tenho ficado mais horas fora de casa. Seja em deslocamento, já que, agora, encaro 12 km de trânsito intenso na ida e na volta (sempre penso: Esse trabalho tem que valer a pena!) e, também, no expediente. Durante mais de sete anos, trabalhei a 10 minutos de casa. Com filhos pequenos, essa é uma das coisas que prende uma mulher no emprego. Mesmo insatisfeita, a gente acaba botando na balança e isso pesa muito na hora de decidir sair.

 

Mas, agora, o caminho é outro.

 

Na minha aventura pelas marginais de São Paulo, enquanto meus filhos encaram novos trajetos de perua ou enquanto passam mais tempo em casa sem a mãe, a energia é outra. Vou e volto cantando, torcendo pra chegar logo, mas com a alma leve, sem culpa. Tenho chegado mais feliz. As minhas chateações da exaustão e das frustrações com o trabalho antigo, que eles também viveram, deu lugar às novas histórias e à vontade de continuar dividindo a alegria deste momento tão especial com eles.

 

Esses dias, na hora do jantar, perguntei:

– Como foi o dia de vocês hoje?

– O meu dia foi ótimo!, Gabi disparou do alto dos seus cinco anos.

Parênteses: Eu não aguento!

– O meu também foi legal, Rafael, de 9, completou.

 

Todo dia agora me perguntam como foi o dia. Querem ouvir boas histórias!

O marido, que vai ficar três meses trabalhando fora de SP, também tem dito e escrito: “Meu coração se enche de alegria de vê-la feliz com o seu trabalho!”.

 

A vida está ou não está doce?!

Obrigada, meu Deus.

 

E, assim, seguimos. Dividindo alegrias. Em casa e pelo mundo. Porque quando alguém está feliz, essa felicidade deve ser compartilhada. Contagia. A gente leva até pra dentro do táxi.

 

Pelo tempo que durar, estou tirando o máximo proveito de estar onde estou, desse bem estar e de ter chegado.

Quer saber quanto foi a viagem?

Ah, essa, realmente, não tem preço!

 

*O vídeo de hoje é o depoimento sobre um pouquinho dessa trajetória de superação profissional e pessoal.

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