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“Foi desesperador! Mas tivemos que manter a calma, porque as crianças estavam com a gente”. O relato é da cozinheira Silmara Moraes, que trabalha na escola estadual onde dois jovens mataram alunos e funcionários, em Suzano, São Paulo, neste 13 de março. No meio do desesperto, ela abriu a porta da cozinha e começou a colocar crianças para dentro para protegê-las dos tiros.

 

Oito pessoas não tiveram a mesma sorte. A mãe de um aluno ferido disse que o filho, de 18 anos, chora muito. Em entrevista à Globo News, Sandra Regina desabafou: “A gente pensa que o filho está num lugar seguro. Quando vê essas coisas, não imagina que vá acontecer com a gente. Agora, é esperar passar o susto e digerir isso na mente.”

 

Esperar passar o susto e digerir isso na mente. Põe tempo nesse drama…

“Temos que entender o porquê de isso estar acontecendo. Essas coisas não aconteciam no Brasil”, declarou o vice-presidente Hamilton Mourão.

 

O caso de Suzano é o quinto no país em que atiradores saíram atirando de forma aleatória, procurando o maior dano possível, segundo o coronel Marcelo Salles, comandante da PM paulista. O fato dos atiradores de Suzano serem ex-alunos e a primeira vítima ter sido justamente a coordenadora pedagógica da escola diz muito sobre possíveis motivações. Mas ainda não há respostas claras. Ao todo, 10 pessoas morreram. Entre elas, duas ex-funcionárias e cinco alunos. Outras 9 ficaram feridas. O nome da escola? Raul Brasil.

 

A arma usada era velha, com numeração raspada, segundo o comandante da PM. De onde veio, saberemos depois. Mas, no Brasil de 2019, poderia ter sido facilmente um revólver legalizado. Não que a flexibilização da posse, assinada em janeiro, permita que a pessoa saia por aí armada. Mas qual a chance de alguém, que está planejando um ataque, se preocupar se não tem direito a andar armado?

Nenhuma.

 

Ávidos, repórteres perguntavam quais seriam as medidas de segurança adotadas pelo estado para impedir novos ataques. Políticas antibullying, câmeras de segurança, aumento do policiamento são alguns dos caminhos. Não se falou de armas. E sim de cuidar das pessoas. “A escola precisa desenvolver uma forma de cuidar dos jovens e apoiá-los para que não se chegue à uma tragédia feito essa”, afirmou o secretário estadual de Educação de São Paulo, Rossieli Soares, em entrevista coletiva, pouco depois de se reunir com as famílias das vítimas.

 

Medidas para impedir novos casos em escolas é fundamental! O Brasil já tem um Programa de Combate à Intimidação Sistemática, o bullying, desde 2015. A lei foi atualizada em 2018. Mas, em se tratando do Brasil, ela ainda não foi implementada como deveria para garantir uma cultura de paz nas escolas. Com acesso mais fácil às armas, certamente, esse trabalho vai ficar muito mais difícil.

 

Um estudo do Ipea em São Paulo mostra que o aumento de 1% de armas de fogo eleva em até 2% a taxa de homicídios. Ilona Szabó, cientista política e mestre em Estudos de Conflito e Paz por Uppsala, destaca num texto do Instituto Igarapé que a evidência de países como os EUA reforça o que aponta o estudo. “Os estados (americanos) que têm leis de armas mais permissivas registraram aumentos acentuados em homicídios, roubos, assaltos domiciliares e acidentes envolvendo crianças”.

 

Pra quem já temia que esses casos típicos nos Estados Unidos acontecessem no Brasil, a facilitação da compra de armas e o caso de Suzano apavoram!