Minha mãe já dizia que “o verdadeiro discípulo é aquele que supera o mestre.” Conheci a frase do filósofo grego Aristóteles quando ainda era adolescente. Não me lembro o contexto da época, mas toda vez que ela me diz que eu sou muito melhor que ela, a frase me vem à cabeça.

 

É curioso porque eu sei que, em muitos aspectos, nunca vou superá-la. E acho ótimo, porque tenho uma grande admiração pela pessoa e profissional que é. Mas em outros tantos, reconheço que aperfeiçoei a herança. Essa herança que a gente recebe indiretamente, na convivência, só de observar ou por osmose mesmo. Aquilo que a gente aprende copiando, sem se dar conta, porque temos os pais como referência.

 

Por causa dessa relação, a gente acaba traçando caminhos na vida que têm muito a ver com a nossa história, com os valores que a gente aprendeu, com as referências que tivemos. Por isso, o exemplo é tão importante.

 

Agora, como mãe, tenho visto com ainda mais clareza o quanto a tal frase de Aristóteles é verdadeira também na relação com os filhos. Hoje sei que dá um prazer danado ver um filho fazendo qualquer coisa melhor do que você. Ou, pelo menos, demostrando que já leva jeito para algo seu, que você tanto valoriza.

 

A maternagem é uma tarefa impossível que, quando a gente deseja, encara com o maior afinco. Quando um filho tem uma personalidade muito diferente da nossa, é preciso se reinventar pra conseguir acertar. Quem não se dá conta disso, fica dando murro em ponta de faca.

 

Mas, ao mesmo tempo, essa experiência é cheia de boas surpresas. Dessas que fazem a gente encher o coração de alegria, quando a gente realiza que eles aprendem só de ver. Até o que a gente não ensina diretamente.

 

Essa semana fui surpreendida pela minha filha de 5 anos. Estava gravando os vídeos que publico aqui no blog e no canal quando, de repente, ela diz: “Mamãe, eu quero gravar um vídeo!”.  Achei uma graça, mas não sabia no que ia dar.

 

Quando terminei as minhas gravações, com tempo sobrando, perguntei se ela ainda queria gravar. Gabriela não só quis como já tinha uma ideia sobre como começar. “Antes de aparecer, você vai dizer que quem vai fazer o vídeo sou eu. Daí, eu entro.” Sei. Com direção, ainda por cima?!

 

O que ela fez depois, nem eu acreditei. Fiquei pensando: “Uma menina dessas, que vê pouca televisão, não tem Ipad, Ipod, quase nunca vê YouTube, que adora colorir, ouvir e inventar histórias e brincar de faz-de-conta, agora está assim, super comunicativa e despachada. E de tanto ver a mãe fazer registros dela e do irmão no parquinho, no futebol, nas brincadeiras em casa ou nos vídeos, já é capaz de sair falando. Ao vivo. Como se não houvesse amanhã.”

 

O outro pensamento inevitável: “Como teria sido bom e mais fácil, se eu tivesse começado assim lá atrás, na televisão!” Mas saber que você está sendo superada por um filho é tranquilizador.

 

O que eles vão escolher ser ou fazer no futuro, nós não sabemos. Apesar de já demonstrarmos, na infância, para o que levamos jeito. Como sempre dei valor para a palavra, para histórias e para a comunicação, fico feliz da vida de saber que a minha pequena já é uma boa discípula.

 

Mas o melhor é ter a certeza de que os verdadeiros valores que estamos ensinando – bondade, respeito, honestidade, solidariedade – certamente também poderão ser levados adiante. Nossos filhos vão nos superar.

 

*O  vídeo de hoje é o dela. Porque, sinceramente, nada que eu tenha feito é melhor.

 

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