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Começo a escrever essas primeiras linhas ainda sem saber o destino do texto, olhando para os meus dois filhos brincando juntos na rede do quintal. Com um olho na tela e outro nas crianças, experimento um sentimento único. Vê-los juntos, brincando em casa e em paz, dá uma plenitude que só quem vê valor no que é simples e grandioso conhece. Felicidade define. #.

 

Olhando pra lá fico feliz de ver que as brincadeiras analógicas têm espaço aqui em casa. Elas trazem um tempo de tranquilidade, sem pressa, sem estímulo em busca de resultado. Sem pressa em aprender, em conhecer, em ser, em ter.

 

Enquanto penso, Gabi vem até mim. Sentou no meu colo surpresa, pra dizer que o irmão dormiu na rede. Ah, como eu amo essa inocência.

“Nossa filha, como você nina bem. Vá niná-lo de novo”, recomendei. Ela foi.

 

Voltou feliz pro quintal com um olhar diferente. É como se tivesse se dado conta de que, com esforço e carinho, tinha sido capaz de fazer o irmão adormecer. E eu voltei a ouvir o ’rec rec’, barulhinho do ferro que prende a rede na parede, enquanto Gabi conseguia manter completamente relaxada a pessoa mais agitada da casa, que me revolucionou, me virou do avesso e me ensinou a ser menos rígida, menos certinha, mais cheia de dúvidas e, principalmente, mais flexível, compreensiva e paciente.

 

Antes de dar continuidade ao texto, que agora já encontrou o próprio fio da meada, parei inúmeras vezes pra atendê-los em diferentes demandas. Afinal, vida de mãe é assim. Acho que sempre foi, desde a época das minhas avós. O que mudou foi o tempo. E, com ele, as crianças.

 

Vivemos um tempo de muitos desafios. Não só os sociais, que são gigantescos, mas também da educação. Meus filhos que brincam na rede são de uma geração completamente diferente da minha e da sua. É uma geração do imediatismo, criada em tempos confusos em que tudo pode, mas nada pode. Em que tudo é possível. Mas só para alguns.

 

Com tantas dúvidas e incertezas, dependendo da personalidade, das capacidades e das possibilidades de cada um, fica tudo mais desafiador. Essa é uma geração que exigem muito mais de nós, pais do século XXI.

 

*Tem o vídeo que vale a pena assistir. Arrisco dizer que você vai gostar.