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A ordem é ficar em casa. Quem pode se recolher e ainda está abusando na rua, talvez, não tenha entendido que o negócio é mesmo sério. Não é brincadeira. Não é exagero, não é fantasia. Basta entender que é preciso acreditar no que dizem todas as autoridades de saúde e cientistas do Brasil e do mundo. E ver o que já aconteceu em países onde a epidemia chegou antes.

 

Não sou da área da saúde, mas, como milhares de outras pessoas, não posso deixar de sair para trabalhar. Diante do desafio que é estar em missão nas ruas, esses dias tive uma compreensão definitiva, que tem me feito olhar para a realidade de outra forma. Eu me dei conta de que faço parte de uma tropa que também está na linha de frente dessa guerra. É guerra, não tenho dúvidas. E eu estou no front da informação.

 

Vendo ruas vazias, comércios fechados, pessoas com medo e apavoradas usando máscara no mercado e estocando comida (absurdos, por vários motivos, pra quem não está doente, segundo especialistas), além de vídeos de uma realidade ainda pior em países da Europa, Estados Unidos e Ásia, lembrei de filmes de guerras. A grande diferença é que, felizmente, não há destruição. É guerra em tempos de paz.

 

É óbvio que seria mais seguro e bem mais tranquilo poder ficar em casa e ainda não ter de se preocupar com as contas e perdas no fim do mês. Quem trabalha e precisa sair na rua tem medo, preocupações, família. Filhos esperando na volta para casa. Preocupação com os mais velhos. Mas não temos escolha. Eu sei que corremos risco. Faço tudo que está ao meu alcance para me prevenir. Fora disso, todos os dias, entrego a minha vida, a da minha família, a nossa saúde e a de quem convive conosco nas mãos de Deus. Sem fé, nem sairia.

 

Confesso que, até a semana passada, ainda acreditava que as coisas não seriam tão ruins no Brasil. Bem longe da histeria, mas diante dos fatos, fui perdendo a esperança de que o coronavírus não se adaptasse ao calor. A cada nova confirmação de caso, a cada entrevista com especialistas, vou me dando conta de que o negócio passou de tranquilo para alarmante. Em vinte dias, os casos confirmados no Rio de Janeiro, por exemplo, subiram de 1 para mais de 60. E não para. É um crescimento exponencial. Por isso, as medidas restritivas são fundamentais.

 

As escolas permanecem fechadas. Dois dias foram suficientes para mostrar que não é tempo de grandes alegrias. Encontros, cinema, parquinho, brinquedoteca, piscina e até praia estão fechados ou não são recomendados na cidade. Já tem mãe pirando. Mas, para as crianças, a vida pode ser bela. Minha filha mesmo tem aproveitado para passar cerca de três horas do dia se divertindo numa bacia d’água dentro do box, fingindo que é piscina, mar ou banheira. Temos água tratada para higienização, somos privilegiados.

 

Enquanto isso, essa mãe está começando a abrir mão de tentar fazer os filhos cumprirem as atividades nos aplicativos da escola. Aquele esforço constante de permitir um tempo reduzido de tela também já não é o mesmo. Está difícil seguir uma lista de afazeres e missões nessa guerra. Pior é o bombardeio de mensagens e vídeos no WhatsApp. Parece que o povo está em casa atacando com o tal de zap zap na mão. Impossível reagir!

 

Não consegui ver vários vídeos, mas assisti alguns. Feito aquele de pais desenvolvendo pequenos atletas durante o confinamento na China. Como se fosse possível copiar os chineses! De tudo que mandam, as melhores imagens, na minha opinião, são as de pais e mães tentando administrar com humor os filhos em casa. Fora meme atrás de meme. Gente do céu, não tô dando conta de acompanhar!

 

Pior: no meio disso tudo, se vier uma mensagem bomba, corro o risco de perder. Porque ainda tem a batalha de filtrar o que é fake news. Ninguém merece!

 

A parte boa nessa comunicação formal e virtual dessa guerra é ver a solidariedade. Parece que o povo ficou um pouco mais unido. Ou será ilusão? É lindo o cartaz que caiu na rede de vizinhos oferecendo ajuda para buscar coisas na rua para idosos com receio de sair e se expor. Quem viu?

 

Agora, soube pelas redes que vai ter #AplausosNaJanela para demonstrar gratidão a profissionais da saúde que estão enfrentando a guerra com coragem. Eles certamente têm medo. Mas a verdade é que, quem tá na luta entende que, num momento desses, não dá para fugir da missão. E já que mensagem na rede dissemina mais rapidamente que o vírus, pode ser que eu vá engrossar o coro e bater palmas. Aí, aproveito para aplaudir pensando em nós, profissionais da imprensa. Afinal, pra combater a pandemia, também precisamos de informação e verdade.

Como bem disse o presidente da França Emmanuel Macron, “quanto mais nos urnirmos, mais rapidamente conseguiremos a vitória”. Num mundo globalizado, vale para cada um de nós.

Faça a sua parte. E, se puder, fique em casa!

 

*Vem pro @prisemreceita, no Instagram. Vem, gente!