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Tenho passado a Copa observado reações e atitudes. Afinal, futebol é um esporte que mexe não só com emoções mas também com as vísceras.

 

Já reparou? Torcedor que não fala palavrão no dia a dia blasfemando e cuspindo fogo até durante o expediente, enquanto assiste aos jogos? Deve ser culpa do fuso da Rússia. Se ele tivesse na casa dele, ninguém saberia.

 

Mudando de reação. E o tanto de gente que é da torcida do contra? Exemplo: tem brasileiro que tem raiva de verdade da Argentina! É mais comum do que gostar de ver o Messi jogar bonito. Mas eu fico intrigada. Como a rivalidade no futebol é capaz de alimentar a raiva de uma geração pra outra, entre países vizinhos?

 

E o ódio da Alemanha, antes deles serem eliminados? Tudo por causa do fatídico 7×1. Foi uma humilhação história dentro do nosso país, claro. Mas o Brasil estava péssimo naquele jogo de 2014. A culpa é da Alemanha? Hum… Tem gente que não perdoa.

 

Não sei como se chega lá, mas a tensão começa cedo. Até para quem não é assim apaixonado por futebol. Uma mãe amiga, Dani, contou agora há pouco no salão que o filho de 10 fica tenso e bravo. “Deve ser por causa desse bordado aí que o Brasil tá assim!”, sentenciou num jogo sofrido da primeira fase, fazendo pressão para ela nunca mais bordar numa hora dessas. Fala sério! A mãe não tem sossego nem pra escolher o jeito que quer assistir aos jogos? rs.

 

Olha, ser torcedor é como viver num reality. É impossível esconder sua personalidade e seus sentimentos mais profundos.

 

Foi num momento reality desses que aquele youtuber brasileiro famoso – eu só o conheci agora, confesso – Júlio Cocielo, perdeu patrocínios importantes depois de fazer um comentário racista depois do jogo da França. Racista é racista, mesmo sem Copa. A pessoa pode até tentar se conter, mas uma hora aparece.

 

Estou convencida de que os sentimentos que a gente transmite e as nossas atitudes durante o Mundial dizem muito sobre o que a gente é na vida.

 

Hoje o Brasil enfrenta a Bélgica, país que me recebeu de braços abertos, durante meu segundo intercâmbio estudantil. Lá se vão 17 anos, mas parece que foi ontem. Desde a classificação deles para as quartas de final conosco, tenho recebido provocações (engraçadas) da minha família belga. Hoje inclusive. Por isso, tô convencida de que futebol é também o esporte das provocações. Me mandaram até a foto do Cristo Redentor vestido com o uniforme da Bélgica.

 

Tenho medo do jogo. Não vou mentir. Mas ando só distribuindo #VaiBrasil a torto e a direito pra eles lá no Facebook. Ainda não consegui fazer diferente. Porque a verdade é que nunca vou ter raiva dos belgas.

 

Se tem uma coisa que todo mundo devia ter a oportunidade na vida é de viver em outro país. Humaniza, aproxima, quebra barreiras. E te faz entender que você pode amar o seu país mais que tudo e torcer por ele sem alimentar sentimentos ruins pelos outros. Não faz sentido deixar a tristeza e a decepção ultrapassarem os gramados pra se instalarem no nosso coração.

 

Mas como é sempre melhor rir do que chorar, hoje eu sou só #VaiBrasil. E, pra não perder o costume, bem brasileiro, uma despedida com o já tradicional “Bom jogo!”.

 

* Hoje tem vídeo. Afinal, no reality da vida, você é o que? Assista, vai. Tá curtinho. E venha pro Mãe Sem Receita no FB e no Instagram: @maesemreceita