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Eu tinha um roteiro. Um texto. Pronto. E tenho as minhas convicções, das quais não abro mão. Mas, o mundo tá muito espinhoso e do jeito que as coisas andam, preferi mudar todo o script. Agora, estou segura da decisão.

 

Ia falar e continuo falando de sentimentos, como sempre. Mas, diante do que estamos vivendo, tinha caído na política. Aliás, as palavras caíram na política, porque, de resto, a gente sempre esteve nela. Para o bem e para o mal, mesmo quando não tem postura ativa.

 

A ideia já estava toda lá, pronta, lapidada, desde ontem. Mas, entre levar minha filha na escola logo cedo e voltar pra publicar, resolvi ler o jornal. E fui me manifestar no Instagram. De repente, quase que instantaneamente, recebo uma mensagem no direct, de uma amiga que tem um ponto de vista completamente diferente do meu. Aquilo acionou em mim um alerta íntimo, sem que eu planejasse: Qual o preço que estamos dispostos a pagar por expressar opiniões publicamente?

 

Dependendo do que você faça da vida, a conta vem. Ainda mais num momento como esse, em que estamos divididos.

 

Só que essa é uma divisão de ruptura, de caça às bruxas, que nos coloca em posições quase extremas. Já percebeu como é fácil condenar quem pensa diferente?

 

Li um termo incrível outro dia, num artigo do Marco Aurélio Ruediger, chefe da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas, que quero carregar pra vida: “pasteurização depreciativa”. Você já se deu conta de como tá todo mundo pasteurizado?

 

Assim: quem vota no Bolsonaro é fascista e a favor da ditadura. Quem prefere o Haddad só pode ser petralha, comunista, à favor da corrupção. Essa é uma visão míope, afinal, entre uns e outros, tem muita gente que está com medo.

 

Mas vivemos um tempo de incompreensão. Se, por um lado, passamos a evitar quem pensa diferente – ou até a odiar, caso você seja radical – por outro lado, passamos a amar mais facilmente quem pensa como nós. Conforta.

 

Eu confesso que admiro a coragem de quem se posiciona. Afinal, muitas dessas pessoas conhecem os riscos, mas estão lá, bravamente, mostrando pro mundo o que pensam, o que defendem.

 

Só que somos diferentes. E, como tudo o que eu tenho buscado na minha vida ultimamente é a paz de espírito, estou escolhendo evitar o desgaste público. Preciso guardar energia. É por isso que me dei o direito de mudar completamente o roteiro do texto.

 

Termino reafirmando que continuo admirando muito quem defende suas ideias políticas pro mundo, com princípios e valores morais. A gente precisa dessas pessoas! Mas eu não estou pronta para fazer isso aqui. Continuo, no entanto, seguindo o propósito de compartilhar um olhar leve, sensível e verdadeiro sobre a maternidade e sobre a vida.

 

*  O vídeo de hoje é sobre a tentativa em vão de convencer quem está convicto a mudar de lado.

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