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Um erro de português fez boa parte das minhas amigas suspeitarem do golpe. Por essa, os criminosos não esperavam. Certeza! Já eu fiquei lisonjeada, afinal, saber escrever bem não está valendo muita coisa.

 

Os golpistas que hackearam meu WhatsApp até tentaram ser finos ao pedir dinheiro para pessoas de A a Z da minha lista de contatos. “Será que você pode manda (sic) agora? Tô precisando muito.” Felizmente, eles engoliram o R do infinitivo. O que mostra que, pra esse tipo de criminoso, o bom ensino e aprendizado do português nas escolas poderia fazer alguma diferença. Mas o melhor foram as reações.

 

– Ah, fizeram isso com a Adriane Gasliteu também, lembrou a minha funcionária, que tinha ouvido essa história na TV. Eu e a Galisteu num #tamojuntas da vida.

 

– É pra depositar mesmo?, perguntou minha tia ao me ligar imediatamente. Ainda bem que ela duvidou e que eu atendi.

Dica número 1: desconfie e ligue.

 

– Na hora que mandaram a mensagem, eu pensei: talvez eu pudesse ter cometido esse engano, mas a Pri não!, disse a Flávia, amiga para quem faço revisões de textos de economia.

 

– Nossa, uma amiga minha teve o whatsapp hackeado semana passada. Roubaram 10 mil reais dos amigos dela, contou a Bia, uma mãe amiga da antiga escola da minha caçula. Assim que recebeu a mensagem, ela também me ligou.

Dica número 2: está ficando relativamente comum. Cuidado!

 

Passei a atender telefonemas de amigas com quem não falava havia tempos assim: “Já sei! Estão te pedindo dinheiro em meu nome!”

Fiquei constrangida!

 

As pérolas vieram das mensagens que algumas amigas trocaram com os criminosos, pelo WhatsApp mesmo:

– Larga essa vida. Deus tem um plano melhor para você!, dizia Karina, minha amiga de fé admirável. Foi ela quem me ligou alertando que eu meu app tinha sido invadido. Karina dedicou tempo e energia aos criminosos e conta que recebeu muitos “améns” ao longo do diálogo, mas não conseguiu convencê-los.

Dica/aprendizado número 3: Na vida, faça o que acredita ser importante e correto, independentemente da reação do outro. E seja de fé.

 

Ao mesmo tempo em que ela foi amorosa, foi prática. “Pri, liga para o seu marido, para o seu pai, para sua mãe e avisa todo mundo!” Que esperta, né? Ela me ajudou a poupar toda a família.

Dica número 4: Aprendeu? Ensine.

Além disso, Karina mandou o alerta no grupo de mães da classe dos pequenos: “Meninas, a Pri foi hackeada!”. Depois, meu nome foi bloqueado no grupo, pra frustração dos golpistas. Pouco antes, eles chegaram a contestar a informação: “Por que você está brava comigo?” Tadinhos.

Dica número 5: sem vergonha e sem nada a perder, eles vão tentar sensibilizar a sua rede de contatos, fingindo ser você. Peça para pessoas dispararem alertas nos grupos dos quais você participa.

 

Determinados, continuaram a tentar descolar alguma grana. Eu fico achando que as minhas amigas vão entrar pra lista das mais espertas. Fantasio com os bandidos dizendo entre si: “As amigas dessa mulher são foda. Nenhuma caiu!”

– Claro que eu posso te ajudar. Me passa os dados da conta!

Essa foi a reação da Pri, minha xará. Ela alimentou um diálogo já com planos de pegar os dados para que eu pudesse repassá-los para a polícia. Nem fui fazer o B.O, confesso. A amiga da Bia – aquela do golpe de 10 mil – passou um dia inteiro na delegacia.

Dica número 6, que a Pri pediu para uma amiga que também foi vítima e me deu: mande insistentemente e-mails para support@support.whatsapp.com, avisando que o seu app foi hackeado. Eu fiz isso. Uma semana depois, até hoje não sei se alguém caiu nos pedidos insistentes. As meninas foram demais.

– Only if you call me now!

A Luciana, antiga colega da TV, respondeu em inglês. Hahahaha. Caprichou.

Dica número 7: English is fundamental.

 

Os hackeadores, que não falavam bem nem o português, fingiram que entenderam. Mas, como não dava para responder com um “Juntos e Shallow Now”, deram um tempo e insistiram: “Estou precisando muito. Pode ser agora?”

Lá foi a Luciana:

– Désolée, respondeu em francês.

Ri muito. Très chic cette amie. J’adore!

Arrasô. Risos.

Dica número 8: tenha amigas engraçadas.

 

Já a Ana respondeu assim:

-Claro que eu posso ajudar. Me manda os dados. Vou passar direto para polícia!                                                         Dica número 9: não brinque com jornalistas! Hahaha.

 

Pelo menos pra ela, não escreveram mais. Mas, ó, eles ficaram mais de 12 horas no meu sistema. Apaguei o app e tentei voltar pouco depois que o invadiram, mas o WhatsApp me bloqueou porque eu já teria tentado digitar uma senha recentemente. Não entendi muito bem. Só sei que o negócio dá uma dor de cabeça danada.

 

Mas, como eu gosto de enxergar o lado positivo das coisas, depois de saber que o apreço e o cuidado que tenho com as palavras ajudaram a livrar as minhas amigas de prejuízos, fiquei pensando: Ainda bem que preservo parte da norma culta até nas mensagens de celular. Já pensou se eu vivesse no estilo “kd vc q ainda ñ chego, miga, sua loka?!”. Definitivamente, seríamos todos prejudicados.

 

Diante do crescimento dessa modalidade de golpe, que devassa parte da nossa vida e nos deixa expostos sabe-se lá para quem, comemorei que não mando mensagens comprometedoras, nem fotos íntimas para o marido por WhatsApp. Afinal, numa hora dessas, o que você já tiver feito, os hackers poderão descobrir! Dependendo do que for, a pessoa pode ser até desmoralizada publicamente. Autoridades alvos de hackers que o digam.

Ah, e claro, dica número 10 de proteção , que não podia faltar: conheça bem seus amigos e amigas!

 

*Vem pro @prisemreceita no Instagram. Vem, gente!