foto: pixabay

 

Eles estão em todo lugar, infelizmente. Mas suspeito que muitos não sabem que são. Ou fingem não saber?!

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Esqueça por um tempo aquele ideal que quase todo mundo tem de trabalhar por um propósito. De ter prazer no que faz e de poder realizar sonhos, com o que você tem de melhor. Meta da geração Y, adotada por muitos de nós. Pois, esqueça. Por enquanto.

 

A história começa assim: tristeza ao voltar. Depois, tristeza pra ir. Nessa ordem. Com o passar do tempo, aquilo invade até seus dias. Dá uma sensação de buraco no peito. É angústia. Aos poucos, você vai se dando conta de que sonhos e projetos são aniquilados. Há casos em que se perde uma história que foi construída com muito esforço e dedicação.

 

Pra manter a sanidade, às vezes, quem está sofrendo assim é levado a tomar uma decisão radical, nos tempos atuais: pedir pra ser demitido. Ou, pior: se demitir. Tenho descoberto que é grande a quantidade de pessoas que caiu nas estatísticas de desemprego depois de quase ter um colapso (burnout) por causa de relações tóxicas no trabalho. A gente não imagina, mas cruza com vítimas sem planejar.

 

Entro no carro do transporte por aplicativo e logo descubro que a Adriana, a motorista, entrou no ramo há quatro meses porque foi vítima de um minador de almas. Ela tinha um emprego fixo. Mas, depois de anos sofrendo pressões psicológicas do antigo chefe, precisou pedir demissão. Em plena recessão! Era isso ou uma doença.

 

Abro as mensagens no meu Instagram e descubro que uma amiga virtual concursada está com acompanhamento de psiquiatra, fazendo terapia, constelação familiar e até hipnose para tentar sobreviver à decepção causada por minadores de alma onde ela trabalha. Está fazendo de tudo que recomendam para não pirar.

 

Foram nove anos de trabalho apaixonado, segundo ela. “Fui chefe de uma ótima equipe e fizemos muitas coisas legais”, conta. Há quase três anos, a história mudou. Mudaram os chefes. Mudou a realidade. E ela teve de se refugiar em outro setor, pra tentar sobreviver. Passado esse tempo, agora, Júlia está no limite.

 

Aconteceu recentemente comigo e com pelo menos outras duas amigas. Uma administradora que trabalhava havia 12 anos numa multinacional. A outra, advogada, atuava numa empresa que já foi uma das maiores do país.

 

O ano é 2019. Algumas das melhores universidades e pesquisadores do mundo já apresentaram estudos comprovando a relação entre ambientes de trabalho saudáveis e resultados positivos para as empresas. Tem também uma discussão internacional forte sobre a importância das habilidades emocionais, pra tudo na vida. Estamos criando filhos entendendo que eles precisam ter inteligência emocional. Mas ainda há minadores de almas em todo lugar.

 

Muitas dessas pessoas, talvez, nem saibam que minam outras. Só pode. Afinal, boa parte dos minadores de almas se apoia em argumentos que os fazem ter convicção de que estão corrigindo equívocos, cobrando bom desempenho, melhorando estruturas e procedimentos pra atingir metas, pra ter bons resultados e ser eficiente. Não faltam motivos para um minador de almas acreditar que as atitudes que tem são fruto da necessidade.

 

Não são! E sabe por quê? Porque um mesmo funcionário pode ser avaliado como muito competente e essencial, na mão de outro chefe. Boas almas colhem resultados melhores. Elas são capazes de entender que respeito, estímulo, encorajamento e reconhecimento são um combustível e tanto para altíssimos rendimentos.

 

Experimenta falar com cuidado. Ser respeitoso no trato. Cobrar sem injustiça. Dar soluções em vez de sermões. Pode ser firme. Mas experimenta ser gentil. Experimenta se colocar no lugar do outro. Quem não consegue, deveria procurar tratamento, em vez de ficar minando almas por aí. Serve pra todas as relações da vida.

 

*Vem pro @maesemreceita no Instagram. Vem! Mas só se você for uma alma do bem.