foto: Pixabay

 

É uma experiência pra lá de surreal ter o peito prensado numa máquina, algumas vezes, em série. Quem já fez mamografia, entende. Depois dos 40 anos, então, aí é que o negócio piora. Afinal, vira rotina para o diagnóstico precoce do câncer de mama, o mais comum entre mulheres no Brasil e no mundo, depois do de pele não melanoma.

 

Mas se eu estou aqui no café do laboratório, comendo pão de queijo e escrevendo, logo depois, é porque deu tudo certo. Graças à minha médica, doutora Paula, que me prescreveu analgésicos pra antes e pra depois do exame. Melhor providência! Deus me livre ter dor ao longo do dia, depois de ver o peito virar sei lá o que naquela máquina. Aconteceu isso da primeira vez, três anos atrás.

 

Agora, ainda tive a sorte de encontrar uma técnica que é uma ótima contadora de histórias. Saí rindo! Nem eu acredito.

Já estava lá, toda apertada, prestes a começar, quando puxei assunto.

 

– Como é que as mulheres reagem?
– Ixi, aqui acontece coisas que você não acredita!
– Me conta.
– A mais estranha mesmo foi uma mulher que não aceitou fazer a mamografia sozinha. Eu disse que o marido não podia ficar por causa da radiação, mas não teve jeito. Ele ficou segurando a mão dela. A mulher gemia! Gritava…
– E o marido?
– O homem era bonitão, sabe? Ficou até vermelho! Pior é que meu colega, que trabalha numa sala ao lado, ficou me perguntando depois: “O que foi aquilo? Sexo a três?”
– Tatiane, não acreditoooooooo!

 

E você aí, achando que as coisas mais inimagináveis do mundo acontecem às quatro paredes num quarto.

 

– Tem mulher que desmaia. E tem gente que me xinga!
– Você quer dizer que tem gente que fala palavrão?
– Palavrão tem demais. Mas tem gente que xinga mesmo: “Filha da puta!
– O quêeee?
– Eu sempre digo: Não vai xingar a minha mãe, porque ela também faz mamografia.

 

Agora, tô rindo aqui, como fiz lá enquanto ela falava. Tanto que tive até que repetir uma imagem porque tremeu. Ou seja, em vez de oito boladas – quatro de cada lado – levei 9. Ô dó.
Agora, sinceramente, fazer mamografia e xingar a especialista de f.d.p é o fim dos tempos. Ê Brasilzão…bão!

 

As histórias continuam… Pra você ver que “bolada no saco” com mulher não acaba mais.

 

– Uma vez, veio uma paciente que tinha pânico de exame. Ela ficou três anos sem fazer exame de sangue, ultrassom… Nada. Daí, a cada imagem, ela tinha de sentar e se acalmar de novo.
– Coitada!
– Pois, então, a minha agenda é de 15 em 15 minutos. Mas eu não posso deixar a pessoa ali, como se fosse um saco. Atrasei tudo, porque tive que ajudá-la. E ela veio sozinha porque o psiquiatra disse que não podia dar alta se ela não conseguisse superar algumas coisas. Foi um teste, sabe?

 

Claro que sei. De fato, as pessoas têm sofrimentos que a gente não imagina. E se não for pela nossa humanidade e pela disposição em tentar compreender e em se colocar no lugar do outro, não há saída.

– O que eu vejo muito aqui é que as pessoas não têm só doenças de saúde. Tem muita gente que tá doente por dentro.

 

Conversa vai, conversa vem, e eu lá, enquanto evitava olhar pra prensa moderna, só refletia. Pensando bem, a dor da mamografia não é nada comparada com a angústia.

 

– Pronta, tá livre!

 

Ufa!
Se ficou mais fácil só por causa do advil, não sei. Mas, ano que vem, por precaução, vou tomar um analgésico antes de encarar a tortura de novo, já que não dá para fugir. O Instituto Nacional do Câncer estima que só este ano, o país tenha 59.700 novos casos da doença. Quanto mais cedo o diagnóstico, maior a chance de cura.

 

Se você é mulher, tem de se cuidar. Se é homem, seja solidário. E tente se colocar no nosso lugar, para quase tudo na vida. É fácil: lembra da bolada!

 

*Hoje tem vídeo. Sobre as histórias e a experiência da mamografia.

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