Sim ou com certeza?

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A gente descobre é aos poucos que os meses com recém-nascido só parecem os mais difíceis. Como dizia uma antiga colega de trabalho, “filho é feito videogame: a cada fase fica mais difícil!”

 

O bom é que, depois que passa, parece também que a gente se esquece do sofrimento. (Será que depois da adolescência também será assim?) Só tenho as memórias boas, sem sentir o cansaço, de todo o investimento que fizemos nos nossos filhos. Aquele investimento necessário e que você confia que vai fazer a diferença.

 

Foram anos de tempo muito bem dedicado. Leituras de livrinhos até durante o banho. Brinquedos educativos, vários. Instrumentos de música pra brincar, música em casa com o pai que toca violão. Saltimbancos, Chico Buarque. Einstein para bebês.

Teatro em diferentes casas de espetáculos em São Paulo numa época em que a gente nem podia imaginar que viveria uma pandemia.

Brincadeiras ao ar livre. Acesso a todos os esportes que interessavam à criança.
Num país tão desigual, é privilégio e diferencial pra vida toda. Pudemos oferecer, graças a Deus.

 

Mais aí, no meio do caminho, inventaram o ópio dos jogos on-line. Um negócio non stop! Tem sempre alguém jogando e uma partida emenda na outra. E ainda tem as redes sociais (todos mentem um pouquinho pra conseguir ter um @ antes da idade mínima). Acaba que aquele mesmo menino investido não quer mais saber de praticamente nada. Põe emburrecimento na conta.

Pra coroar (ou melhor, pra complicar!), a pré-adolescência por aqui se passa num condomínio (uma bolha) em pleno Rio de Janeiro – terra do “carpe diem” – onde crianças e adolescentes circulam entre quadras, prédios, jardins e bosque. E brincam, se relacionam, se beijam e, obviamente, se desentendem e brigam. É tudo num nível intenso.

Só uma perna quebrada mesmo pra diminuir o ritmo. Limite de pai e mãe é quase guerra declarada.

Mas o pior é que todos os fatores levam à falta de comprometimento com as atividades da escola e à falta de interesse com o que edifica a mente. Você vai assistindo a criança se empobrecer, sem conseguir frear como deveria/precisaria/gostaria… 

 

Foi só bem recentemente que eu entendi que tudo isso – começando pela personalidade de cada criança – têm impacto no resultado da educação que você dá dentro de casa. 

Olha, se não tivesse acontecido conosco, que somos pais imperfeitos mas suficientes, atentos e vigilantes, eu, talvez, continuasse a achar que criança que não se compromete com as obrigações e dá uma descompensada neste século 21 está solto no mundo porque os pais são alheios. Pode ser, claro. Mas pode não ser. Sou a prova. Deus tá vendo!

Pai e mãe sofrem! Mas mãe sofre mais, claro.
Afinal, com a mãe é mais difícil.

Talvez porque a relação é visceral (tem o cordão umbilical real e os outros que a gente vai cortando ao longo da vida).

 

É óbvio que você não vai entender se tiver crianças e adolescentes tranquilos e fáceis ou se terceirizar tudinho. Ou, então, se tiver tempo pra manter a roupa de polícia e não deixar nadinha escapar. Mas até isso cansa. Descobri em análise.

 

Quem decidiu e desejou ter filhos, sabe que é precioso e lindo, mas dá trabalho. Tem de ter disposição porque é duro. E cansa. Afinal, é uma luta constante pra não perder o filho para as telas, pro mundo e ainda tentar resgatar um tanto daquele repertório e investimentos iniciais.
Você cansa. E descansa. Descansa e cansa… e assim vai.

Mas não é só. Enquanto se esforça e busca saídas na maternidade, mãe é mulher. Pessoa física. Tem a vida individual, as batalhas deste mundo tenebroso, as preocupações, as obrigações de trabalho (seja dentro de casa ou externo), os outros relacionamentos, os cuidados com saúde, atividade física, pele, corpo, cabelo, unha, sobrancelha, depilação – de buço, axila, virilha, perna -, método anticoncepcional… E um tanto de coisa mais.


Ou seja, mesmo com parceria do pai, marido, companheiro, família e rede de apoio (sem isso a gente pira), não me venha dizer depois de 17 horas acordada que eu estou “sem paciência”. Ainda mais com filho resistindo a fazer o que tem de fazer!
No fim do dia, eu estou é exausta.
Eu sei que estou. E me dou o direito, uai.

Afinal, a vida não é e não está fácil.
Tem mais alguém vivendo isso por aí?

Respira!
Cuida da saúde mental. E 
pede pra Deus ajudar. Tô fazendo isso.

 

*Vem pro @eupriscilladepaula, no Instagram. Vem, gente. Ando sumida, mas ando mais por lá.