Maternidade podia até ser modalidade olímpica, em que toda mãe ganha medalha quase diariamente. É verdade também que, de vez em quando, a gente bate nosso próprio recorde. Comigo foi assim, nesta Olimpíada.

Tudo começou na Sexta-feira, 12 de agosto, às 0h17. 

Acordei depois de pegar no sono ao colocar as crianças pra dormir e vi a mensagem do meu marido no WhatsApp, ao programar o despertador pra dali a algumas horas: “Jorge tem dois ingressos pro atletismo de sábado!” 
Ele estava num jantar e conseguiu as entradas. 
Morri!

Depois de uma semana da abertura dos jogos, em que passei a sonhar em levar meu filho Rafael, de 7 anos, pra Olimpíada, quase enlouqueci naquela madrugada. Daí pro embarque, de ônibus convencional com duas crianças pro Rio de Janeiro na noite daquele mesmo dia, foi uma maratona: manhã de trabalho na TV em que apresentei o jornal; procura por ingressos pra outros dias pra aproveitar bem a viagem; escola que liga pra buscar filha de 3 anos com febre; busca 1, busca outro; pega o ingresso; procura passagem por telefone, faz mala… Corre pra rodoviária. Ufa! É ouro!

Sábado, 13 de agosto, 0h.

Eu tinha acabado de embarcar no ônibus, com dor de garganta, numa noite gelada, com duas crianças pequenas.
Detalhe: a de três continuava mal, desde a saída da escola.

Na viagem, sem dormir, administrando frio, febre e suor, me arrependi o tempo todo. Talvez eu não tivesse realmente preparada pra essa prova de fogo. “Onde estava com a cabeça de me meter numa viagem dessas? Como será agora? Por que eu quis tanto? Que loucura!”, foram algumas das coisas que pensei. Já não tinha mais jeito! Pior: aquele era só o caminho de ida.

Chegamos ao Rio às 7h da manhã, bem, graças a Deus. 

Da rodoviária pra casa da tia Beth, onde ficamos, mais uns minutos e já não dava mais tempo pra cochilar, como eu tinha planejado. O atletismo começava às 9h30! Mais uma correria pra chegar ao estádio e, de repente, todo o arrependimento desapareceu. Como num toque de mágica!

Quando vi aquela multidão e torcedores do mundo todo no Engenhão, senti um prazer incrível. Foi a sensação de sonho realizado! Estar com meu filho que ama esportes na olimpíada do Rio era demais! 

Foram dois dias e meio de corre-corre por lá, entre estádio, parque olímpico e lagoa. Também não estávamos em casa pra comemorar o dia dos pais. Mas era aquele fim de semana ou não conseguiríamos ir noutro. O pai entendeu e nos liberou pra aventura, já que não podia ir conosco.

Me cansei. Me estressei… Afinal, aventura com criança é um desafio. É prova pra você testar sua condição física e psicológica. Mas não faltou disposição! Rafael também esteve pronto pra acompanhar os jogos em todos os momentos. Mesmo que às vezes não tivesse tão simpático…

E eu lá, curtindo e fazendo registros de tudo pra posteridade. 

Ainda fiz questão de levar a pequena Gabi na canoagem! Era mais perto, mais cedo, menos cansativo… 
Além do prazer pessoal de ter vivido essa experiência, posso dizer que fiquei feliz como mãe.
Depois, ouvi: “Você é corajosa!”

Pura verdade!
Tive coragem e disposição de sobra pra encarar essa maratona olímpica de ir e voltar sozinha com duas crianças para o Rio de ônibus em dois dias e meio.

Só guardei alegrias! Aproveito pra dividir aqui com vocês mais um pouquinho dessa experiência na #Rio2016!