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Estava saindo da análise agora há pouco e encontrei uma conhecida na rua do consultório. Ela estava com a filha de três anos no colo, a caminho da farmácia. Quando contei que tive um episódio de labirintite, ela disse, na maior naturalidade:

“Ah, eu tenho também.”

 

Continuei a conversa, não sei de que jeito, confesso, mas paralisei no pensamento. “Mais uma?”.

Ontem, descobri outros dois casos entre amigas e cheguei à seguinte conclusão: as pessoas estão ficando com a cabeça doida.

 

Eu passei o dia de cama. Fiquei muito tonta logo de manhã, quando tentei levantar.  “Ops! Que estranho”, pensei.  Dali a pouco, tentei ajoelhar pra fazer uma oração, mas também não consegui.“Eu, hein?! Vou deitar de novo… logo logo passa.”

 

Não passou, claro! A cabeça não deixou meu corpo funcionar de pé. Tomei um remédio que minha amiga otorrino me prescreveu e fiquei o resto do dia colocando sentido na tontura, até entender o porquê de ter ficado tão zonza. Muita pressão pra uma cabeça só.

 

Passei o ano todo em busca de saídas criativas pra uma intensa insatisfação profissional. Nos últimos dois meses e meio, desde que recusei um emprego que não querida, minha cabeça tem girado mais rápido. Essa cabeça que nunca se dopa tem clareza do que quer e do que não quer…  E ela se move guiada por um propósito. Mas também se move em várias direções, com um sentimento de urgência. A urgência da alma, a urgência do tempo.

 

É como um navio, num mar turbulento, girando cada hora pra uma direção. Foi aí que a bússola perdeu o controle… e a cabeça deu tilt.

 

“Sossega, Priscilla!”

 

Eu ouvi o recado do meu corpo e entendi que precisava domar o sentimento que me atordoa. O sentimento de que tudo o que fiz não foi suficiente (ainda!), de que preciso fazer mais porque tem que dar certo, o sentimento de que não posso sossegar, de que não posso ficar um segundo sequer parada diante da conjuntura e de que tenho de continuar trabalhando, tentando… Assim, feito louca, na maratona da minha própria vida.

 

O corpo respondeu. E eu reconheci, então, que preciso parar de lutar contra a “infertilidade” (momentânea) dos movimentos que já fiz. Foram muitos. Importantes.

 

Como as pessoas conseguem viver com episódios frequentes de cabeça tonta, de corpo parado e de ânsia de vômito, não sei.

 

Hoje fiquei de pé, sem remédio. Fui dirigindo pra análise e, depois de construir mais um tanto em cima do episódio de labirintite, entendi que preciso me acalmar. Preciso de férias pra alma e pra cabeça voltar a funcionar normalmente. Eu preciso e eu quero. Olha que bom.

 

*Hoje não tem vídeo. Mas vem pro Mãe Sem Receita no FB e no Instagram – @maesemreceita – que tem mais coisa por lá.