foto: Sissy Eiko / divulgação Companhia de Copas

 

Um dia desses, estava dirigindo e ouvi minha filha falar para amiguinha no banco de trás: “Aqui é o cemitério, onde ficam as pessoas que morrem!”. Fiquei sem reação, confesso. Estávamos passando, mais uma vez, em frente ao cemitério da Lapa, em SP, que fica no caminho pra casa da tia Beth, nossa única tia que mora na cidade.

 

Apesar de ser super bem cuidado, de ter uma arquitetura interessante e já termos conversado sobre a morte, confesso que evito falar desse assunto. Ainda mais com o filho dos outros. É difícil. Pra muita gente, ainda um tabu. Por mais natural que a morte seja.

 

Pois a peça “Pequena Magdalena”, que estreou este fim de semana em SP, fala disso de um jeito surpreendente. E divertido. O famoso “Día de los Muertos”, celebrado com festa tradicional no México, dá o pontapé para contar um pouquinho da história da artista mexicana mais famosa, Frida Kahlo, apaixonada pela cultura do país.

 

O cemitério é o cenário para uma história encantadora, que revela uma Frida (Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón) menina, que enfrenta o peso das críticas de colegas por causa da deficiência na perna, consequência de uma polomielite. A mensagem do respeito às diferenças tá lá… Mas o mais bacana é que pra falar disso, da morte ou das confusões e trapalhadas que toda criança apronta, há muita leveza e humor.

 

Gabriela, de 5 anos, ficou encantada principalmente com a transformação no portal por onde passam os mortos e os vivos durante o cultuado dia dos mortos. “Ficou muito mais lindo, mamãe!”, constatou admirada com as intervenções feitas por Frida, com cerca de 10 anos, e pelo amigo Miguel, que mora no cemitério.

 

O espetáculo da Companhia de Copas, criada em 2011 pela atriz e produtora Luciana Castellano e pelo ator, cenógrafo e músico Victor Merseguel, também tem música, ao som de violão, La Catrina, a caveira que é uma das figuras mais populares da festa, e um figurino lindo e super interessante. Os dois, aliás, estão ótimos no papel da protagonista, do amiguinho dela e de todos os outros personagens.

 

A peça também desperta o interesse das crianças pra saber um pouquinho mais da história dessa pintora guerreira e admirável, na vida pessoal e social.

 

Além da minha caçula de cinco e do meu filho de 9 anos, que também curtiu bastante, eu levaria uma turminha toda, tranquilamente. Aliás, vou espalhar a dica. “Pequena Magdalena” é lindo. Vale muito a pena! Em cartaz no Teatro Alfa, em SP. É só dar google para achar a agenda.