Se tem coisa melhor que férias, eu ainda não conheço. Estou aqui em Alagoas, curtindo o que há do melhor do Brasil: tempo bom no inverno, sol, piscina natural, água cristalina, coco doce, peixe, camarão e polvo… Catar conchinhas no mar!

 

Tudo isso e o prazer de ser recebida por uma família alagoana querida, da minha amiga Manu, que mora em NY mas veio passar um mês por aqui, têm me devolvido o prazer que eu tinha perdido no primeiro semestre, o de deixar o tempo fluir, sem pressa.

 

Afinal, por que a gente fica querendo acelerar o tempo?

 

Por uma expectativa, muitos dirão. Mas pode ser também pra acabar com um sofrimento. Como a reta final de uma corrida, que você já não aguenta mais, mas tá focado na linha de chegada. E resiste bravamente porque tem um objetivo.

 

A minha maratona começou depois do Carnaval, que este ano foi cedo.

 

Mas, ao contrário das corridas de longa distância, em que todo competidor conhece a linha de chegada, na vida, vira e mexe a gente tem de recalcular a rota. Você traça um caminho e faz um cálculo, mas, de repente, alguma coisa acontece e você precisa reavaliar planos.

 

Comigo, aconteceu de novo, em maio. Eu planejava sair do trabalho, mudar de foco, investir tempo e energia em outras coisas, que poderiam me fazer mais feliz. Mas não deu. Sem waze, não consegui prever quanto tempo levaria para alcançar essa liberdade que precisava. A minha nova reta final da maratona, então, eram essas férias.

 

E o que é que eu tanto buscava?

 

Tempo para me reconectar profissionalmente com os meus valores, com os meus propósitos, tempo para viver sem achar que estou perdendo tempo. Tempo para correr atrás (sempre uma corrida na vida!) daquilo que acredito, para investir em ideias. Pra terminar o dia e fazer um balanço positivo, de quem está seguindo em frente e nunca andando pra trás, seja por qual for o motivo. Será que a nossa maratona é a mesma?

 

Um dia antes do merecido descanso, aquela corrida acabou. E as tão esperadas férias chegaram. Agora, a alma não tem pressa. Sossega.

 

São Miguel dos Milagres, Alagoas.

*Infinitamente mais bonito do que a foto.