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Costumava ser assim: toda vez que julho chegava e as crianças tinham um mês todinho de férias na escola de São Paulo (nunca entendi como o calendário fechava), eu me desesperava, nem que fosse só um pouquinho.

 

“Vou fazer o quê com essas crianças se não tenho férias?”; “Tanta gente vai conseguir viajar e eles, coitados, não vão poder fazer nada de especial!”; “Tenho que arranjar uns programas culturais pra fazer valer a pena.”; “Será que os avós vão poder ficar com eles em BH, nem que seja só por uma semana?”, eram algumas das muitas questões que invadiam a minha mente.

Aí, veio a pandemia. Não que a gente pudesse imaginar lá em março que nessa altura do campeonato estaríamos ainda em isolamento social com milhares de mortes e, mais surpreendente ainda, que as crianças estariam fora da escola há quase quatro meses. O tempo passou e, assim, quase que de repente, as férias de julho chegaram. De novo. A diferença é que eu não me lembro de ter tido alguma vez na vida de mãe de aluno em férias esse sentimento que experimentei agora, de pura paz.

 

Não ter de encontrar saídas pras férias escolares, não ter conta de colônia de férias se soprepondo à mensalidade escolar, não ter margem para se preocupar com isso, simplesmente porque não há saída, me trouxe uma certa paz na alma. Será que alguém mais se sentiu assim?

 

Dessa vez, a primeira coisa que pensei foi: “Meu Deus, serão duas semanas sem atividades online! Que maravilha!”

O mais surpreendente é que, pela primeira vez, as crianças também comemoraram, e muito, mesmo sem poder fazer nada de especial.

Haja TV e game. Haja flexibilização…

 

A verdade é que nenhuma criança ou adolescente dá conta de seguir virtualmente cumprindo a mesma carga horária ou carga parecida com a presencial. Afinal, o melhor da escola são as interações sociais, as experiências, o espaço e as trocas que a educação à distância nunca será capaz de oferecer.

 

Pós-férias, ainda na pandemia e com mais de 80 mil mortos no país, o retorno nas escolas que vão assumir o risco será híbrido. Um pouco presencial, outro tanto virtual. Mas, afinal, essas duas semanas terão sido suficientes para recarregar as energias para o retorno virtual?

 

Quem saberá dizer?

Euzinha só sei de uma coisa: não tenho a menor condição de acompanhar todas as atividades online, como outras mães têm sido capazes de fazer. Por isso, já aliviei a pressão sobre nós. E ainda não sei como será o retorno quando essas férias simples e deliciosas acabarem. Mas de uma coisa eu tenho certeza: já quero as férias do fim do ano!

Vem ni mim, dezembro! E vê se agiliza e manda a vacina logo depois do Papai Noel.

 

*Vem pro @prisemreceita, no Instagram. Vem, gente!