foto: Pixabay

 

Chegaram as férias de julho e junho ainda nem acabou. O recesso escolar do meio do ano vai durar um mês todinho por aqui. Em São Paulo, sempre foi assim. Confesso que nunca entendi como o calendário escolar pode ser tão diferente no país. Em Belo Horizonte, onde nasci e cresci, só tínhamos 15 dias no meio do ano. A vida inteira foi assim.

 

Sem poder controlar o calendário, pra quem tem 30 dias pela frente, as férias dos filhos chegam trazendo uma mistura de sentimentos. Tem aquela alegria genuína de não ter a correria da rotina escolar e de atividades. A felicidade de ter tempo com eles, para fazer o que der na telha. Mas, por outro lado, se você não tem a possibilidade de viajar e não tem família com quem contar pra ajudar com a programação ao longo do mês, aí, você também tem aquele sentimento de desespero que bate, nem que seja de leve. Mas, claro, você se esforça para combatê-lo. Ou pra nem pensar nisso…

 

Bom mesmo é ter o mês todo disponível ou boa parte dele pra poder viajar e ainda pode dividir parte do tempo livre das crianças com avós ou tios que as levam pra passear ou pra viajar. Quantos de nós estão nesse grupo de privilegiados, hein?!

 

Eu, que sempre trabalhei fora e não tinha o mês inteiro livre em julho, vou experimentar, pela primeira vez, algo diferente. Sem viagem marcada, provavelmente, vou fazer o check list nos guias culturais da cidade. Neste aspecto, viver em São Paulo tem lá muitas vantagens. Mesmo com o ar péssimo, em especial nessa época do ano de tempo seco, você tem opções de sobra até gratuitas. Só não é perfeito, porque quem é que diz que duas crianças de idades diferentes topam fazer sempre os mesmos programas?

 

Vira uma peleja. É duro lidar com a resistência. Duríssimo, aliás. Não vou mentir!

 

Em um mês, vai ter de tudo por aqui. Certeza. Vai ter o dia em que eles topam o mesmo programa e o coração de mãe se alegra. Tem o dia em que não topam, mas você negocia intensamente e leva, porque faz parte da vida. O dia em que cada um escolhe o que quer fazer e o outro vai junto. O dia em que a gente arranja uma tarde de brincadeiras na casa de algum amigo. O dia em que é você quem recebe os amigos. Tem ainda o dia em que você, cansada, não quer fazer nada e eles ficam só brincando dentro de casa. Vai ter dia de exposição excessiva às telas. Vai ter, uai. Os dias em que você vai fazer mais do mesmo: pracinha, parque ou clube e está ótimo. Todo mundo sai feliz. O dia que vão brigar mais do que brigam normalmente. E você vai achar que está prestes a enlouquecer. O dia em que vão passar dentro de casa reclamando que não vão fazer nada. E vai ter o dia que você lembra que qualquer coisa é melhor fora de casa do que dentro. Melhor cansar o corpo do que a mente. E o dia em que os avós vêm visitar e tudo fica lindo.

 

Por sorte, também vai ter a colônia de férias. Paga-se, claro. Mas serão aqueles dias em que você fica feliz porque eles se divertem, gastam energia, passeiam, brincam com amigos e você tem tempo pra se ocupar de outras coisas. Porque, afinal, a gente ama os filhos mais que tudo mas não vive só em função das coisas deles. Ainda bem.

 

Mas hoje é só o primeiro dia. E adivinha? De manhã, já teve um pouquinho de enrolação, de encheção e de dramatização. Normal também, né?! Mas, passou. Ufa. Agora, por sorte, estão em paz. Só não param de perguntar se já acabei de escrever. Então, já que o tempo está lindo, com sol brilhando, vou aproveitar a tarde com eles. A felicidade de tê-los saudáveis e de ter tempo livre com os filhos – coisa rara na vida de quem sempre trabalhou fora – já vale muito.

 

Ah, faltou falar de uma outra certeza: depois de trinta dias de férias escolares, sem viagem marcada, você já sabe que, quando acabar, vai querer tirar férias das férias. Socorro! (risos)

 

*Vem pro @maesemreceita no Instagram. Vem gente, conhecer o #paposemreceita