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Um dia dos namorados em plena pandemia. Conseguir comemorar – mesmo que de uma forma diferente, cuidando-se e cuidando dos outros – será um privilégio, fruto também de uma capacidade incrível de abstrair-se da realidade. 

 

Pra comemorar, a gente abstrai, por exemplo, os 40 mil mortos pelo novo coronavírus no Brasil. E agradece a Deus porque teve Covid19, sofreu, mas foi curado! Ô glória!

Porque, pense: quarentena mil mortos já é mais do que tudo que o trânsito matou no país no ano de 2019.

 

Mas hoje é dia dos namorados. Então, é preciso manter a positividade. Que existe dentro de muitos de nós, felizmente, apesar dos pesares. Eu tenho isso muito aqui dentro. Graças a Deus e a um trabalho intenso de auto conhecimento.

Aí, a gente continua. E abstrai a crise, que além de saúde e sanitária, é também econômica, moral e cívica.

Se você for pensar nas fraudes na montagem dos hospitais de campanha do Rio e nos milhões desviados, por exemplo, quase tem um troço.

 

Mas a gente abstrai pra conseguir comemorar. E continua abstraindo até para pedir delivery de um restaurante porque, se bobear, lá se vai mais de um terço do auxílio emergencial para toda uma família pobre por um mês.

No meio dessa crise de consciência, você se lembra, de novo, que é 12 de junho e xô negatividade!

Decide continuar leve, porque, repito, graças a muitos anos de análise a às benção de Deus – que fez e faz além do que os nossos próprios braços tinham sido capazes de fazer – a travessia do deserto árido foi antes da pandemia… Afinal, se fosse agora, certamente, seria ainda mais desafiador! Então, temos mesmo o que comemorar e com o coração cheio de gratidão.

 

Diante disso, a gente abstrai. Abstrai até a falta de consciência das pessoas que acham que agora “liberô”, então, “finalmente, dá para voltar a fazer bastante coisa”; “vamos bater perna no shopping”, como antes. Tudo isso mesmo que os números sejam crescentes e a doença em si, ameaçadora.


A gente abstrai inclusive que, agora, a União Europeia vai impedir a entrada de cidadãos de países onde a pandemia não estiver controlada – brasileiros, por exemplo. Nesse caso, o problema nem é ser impedido de viajar já que, com o dólar nas alturas, ficou mais difícil… Mas pensando bem, se depois dos EUA até UE quer barrar a gente no baile, tem algo muito sério aí…

Peraí: se você não ia viajar mesmo no dia dos namorados, pra que pensar se seria barrado no exterior? Que besteira! Dá pra abstrair, facilmente. Foca no romantismo!

Acredite: aqui em casa, #tátendo. Apesar da pandemia, do isolamento social e das crianças sem escola. Parece milagre.

 

Tenho pensado muito nisso, falado sobre isso em análise (on-line) e agradecido a Deus. Só tá tendo romantismo, apesar das circunstâncias, porque a gente atravessou o deserto antes de termos de ficar a sós, isolados, dentro de casa. Como milhares que estão presos na crise, em divergências, discussões, desentendimentos e com medo de não encontrar saída pra tantos problemas, sem ter nem para aonde ir. Põe lenha na fogueira.Não é à toa que aumentou a violência doméstica durante o isolamento social. Não só contra as mulheres, mas também contra crianças. 

 

Nesse dia dos namorados, a gente vai abstrair a realidade ao nosso redor pra celebrar. Mas é abstrair, sem se alienar. Sem perder nunca a noção do que nos cerca e com a certeza, cada vez mais firme, de que ter saúde, ter alguém que te ama, que te respeita e que tá junto, de mãos dadas enfrentando os desafios, dividindo o mesmo ar (puro ou contaminado), buscando saídas e buscando ser melhor, é um privilégio. E se, apesar das inúmeras diferenças, você ainda quer continuar junto, aí é que é mesmo pra comemorar! Nem que tenha de ser dentro de casa, com as crianças dificultando até o diálogo. 

 

Quem diria… Nunca imaginei desejar Feliz Dia dos Namorados, em plena pandemia!

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