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“Saio da sala com a alegria da certeza de que estou curada. Mas a minha vontade é de dar um abraço antes de me despedir. Daqueles que nos dão a sensação de aconchego, acolhimento e até mesmo de gratidão. Sabe aquele tipo de abraço em que a gente agradece por tudo e ainda deseja um montão de coisas boas? Então, era esse abraço que eu queria ter dado. Não pude. Saio com muitos motivos para comemorar. Mas, ao mesmo tempo, com um vazio no peito… É uma nítida sensação de que está faltando alguma coisa. Caminho pelos corredores enquanto faço este registro e penso: Vai chegar o tempo, vai chegar o tempo!”

 

Perto do Dia das Mães, em meio à pandemia, lembrei desse sentimento que tive ao sair do consultório da pneumologista, que já se transformou em querida ao tratar da minha família quando pegamos coronavírus. Faltou o abraço. E está faltando em muitas relações, porque estamos distantes para preservar vidas.

 

O Dia das Mães só não será tão vazio pra quem vive com a própria mãe ou com os filhos. Pra quem tem crianças pequenas, como eu, mesmo diante dos desafios e da nossa exaustão, elas são a certeza de sol nos dias cinzas. Alegria em tempos sombrios. Esperança diante da dúvida. São combustível, aprendizado e fé.

São ou não são?

 

Não fosse por eles, os dias da quarentena estariam menos atolados e menos cansativos, certamente. Mas também estariam mais tristes. Ouvir uma risada, ver a felicidade na simplicidade, ouvir declaração de amor mesmo despenteada, sem estar com a depilação em dia ou com as unhas feitas é poesia no caos. Ver uma criança que está contida dentro de casa ser capaz de dar cambalhotas no sofá é de encher o peito de ar purinho, sem vírus, num longo suspiro de gratidão. Ai, ai… Suspirei.

 

Estamos cansados, não dá pra negar. Muitas de nós, exaustas. Mas o cansaço que pegou a gente nas vésperas do Dia das Mães não é responsabilidade deles. Já parou para pensar que o cansaço vem, na verdade, de tudo que envolve as nossas preocupações e obrigações nessa pandemia? Principalmente, pelo fato da casa, que era o nosso espaço de lazer e descanso, ter se transformado num lugar tão cheio de tarefas, cobranças e desgaste. Pra nós e pra eles.

 

Nesse Dia e em todos os outros durante e depois da quarentena, eu quero pra mim o que já vinha buscando em análise e desejo também para você: reduzir o desgaste, as cobranças e conseguir ter mais leveza. E, se estamos com os filhos, somos privilegiadas.

 

Por outro lado, muitas mulheres estão na saudade. Tenho pensado muito nas mães que estão na linha de frente da saúde contra o novo coronavírus. Feito a Tainá Poubel, técnica em enfermagem, que trabalha numa unidade básica de saúde da zona oeste do Rio e não abraça a filha desde o início da pandemia. Ela e o marido, colega de profissão, estão há quase dois meses sem encontrar a criança pra não colocar em risco a avó e a bisavó, que cuidam da Helena enquanto eles trabalham.

Já pensou na falta que esse abraço tem feito?

 

Mas a Tainá segue firme, doida pra tudo isso passar e ela poder, enfim, matar a saudade da filha. Saudade que, como já disse uma sábia criança, só acaba com abraço. Então, neste Dia das Mães, mesmo se estiver exausta e, possivelmente, cheia de dúvidas, medos e incertezas, se você puder ganhar abraços, sinta-se presenteada.

 

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